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Ela é carioca

Entre a varicela e o 11 de Setembro

A F. faz hoje 21 meses e parece que está com varicela. Cada borbulha armazena litros de preocupação. O equilíbrio entre a maternidade e profissão tem sempre um travo a injustiça. Alguém sai sempre a perder, mesmo quando a opção é recusar ser-se mãe. Esta é, sem dúvida a perda maior. As paixões devem se completar e não que se excluir, mas neste caso há sempre uma perda.

Só hoje li a entrevista da Anabela Mota Ribeiro no "Jornal de Negócios" de sexta-feira passada. Soube-me a morangos. Ela me conquistou logo que começou por ir buscar aa Clarice Lispector, com o regaço cheio de frutos. Ele me rendeu ao terminar a conversa serena com as tangerinas de Eugênio de Andrade. Os dois provam que uma entrevista de economia pode surpreender pelo intimismo. Valeu.

Só se fala na comemoração (?) dos 5 anos do 11 de Setembro. Há cinco anos também eu tinha de apreender a lidar com perdas. As perdas são sentimentos complexos que não deveriam ser abordados com o simplismo que muitas vezes tem acontecido. Também aqui o jornalismo deve marcar presença. Vigilante, atento, isento, acutilante. Um desafio para cada um de nós, no duplo papel de cidadãos e profissionais do jornalismo.

A polémica da maternidade X profissão não me larga. Um artigo recente do site da "Forbes" referia um  a peça de Michael Noer: "Don't marry career woman". O "Actual" de ontem traz um longo artigo de Gaby Wood "As guerras das mães". É uma tatuagem complicada esta de se querer ser bom nos nossos vários papéis sociais. Não há Oscar que nos valha.

chmartins@expresso.pt