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Expresso

Ela é carioca

Ela é mesmo carioca...

Apresentação: Os clássicos tem um sabor sempre especial e segundo eles uma notícia tem de responder o quê, quem, quando, onde, como. Aqui vai para que ninguém se engane: A senhora em causa - será melhor dizer menina ? Nada como estar na casa dos trinta e não se saber a quantas andamos ... – gosta dos clássicos.



Nasceu no Rio de Janeiro, logo merece de pleno direito ser chamada carioca. Caiu em Portugal há 15 anos. Já vinha com a decisão tomada: ser jornalista. Contingências de mercado empurraram-na (sem grande entusiasmo, diga-se de passagem) para a área da economia.Dez anos mais tarde está presa: M. É português, a F. Tem quase dois anos, o jornal está em plena revolução, a economia não dá ares de grande entusiasmo.



O tempo é curto, as fontes são difíceis e há sempre mais por fazer do que está feito e, como quem nasceu torto não se endireita, nada melhor do que arranjar mais sarna para se coçar: lançar um blog para mostrar o que todo mundo já sabe: ser mulher, com tripla jornada de trabalho não é fácil. Ser jornalista de economia em Portugal é tudo menos uma coisa simples. Assim, porque não aproveitar o que se sabe para discutir os bastidores desta aventura, com direito a tradução simultânea de sotaques? A aventura pode ser interessante, até porque num país de diabéticos, falar um português com açúcar pode trazer surpresas...



Para começar a lançar a polémica: Depois de três semanas de férias, escondida no que os autóctones gostam de chamar o Portugal profundo, voltei ao Expresso para descobrir que estou pior do que um estagiário recém chegado de uma universidade: os comandos do computador mudaram todos! Isto é mais grave do que mudar o grafismo!



Esta ideia de reduzir o tamanho do jornal é tema para grandes conversas e grandes especialistas, mas para já, na prática, o que está a provocar são mais rugas em quem já vai acumulando as obrigatórias. Assinar um texto ou mesmo escrever a primeira letra tornou-se diferente do que era há três semanas.



O que não muda é a velha forma de tentar descobrir notícias para os leitores: agarrei-me ao telefone e comecei a chatear todo mundo, fingindo que os comandos continuavam os mesmos. E como quem vive de fazer perguntas tem de estar preparado para ouvir de tudo um pouco, a notícia do dia parece que não se confirma, mas tem interesse: garantiram-nos que uma das grandes empresas deste país ia excluir este jornal de uma campanha de publicidade porque não gostara do tom tupiniquim de um texto recente desta autora. Como nada é melhor do que falar frente a frente, pus-me logo a perguntar a quem de direito se era verdade, afinal, em tempo de vacas magras este é um prejuízo que ninguém quer dar ao grupo. A resposta formal é de que é mentira. A certeza nunca assumida é que a ideia passou pela cabeça dos responsáveis e que a inequívoca forma de pressão foi equacionada. E lá que não gostaram do texto também é verdade, mas como não tinha erros, não deu para fazer nada.



Voltar de férias é sempre um cansaço, ainda por cima quando temos de deixar na creche um amuleto que nos acostumamos a levar ao pescoço... Isso de ser mãe e profissional nunca foi fácil.



O blog ainda não andava na blogosfera é já está a fazer ruído. Hoje um colega da redacção referiu-se a este espaço como o blog da Garota de Ipanema. É certo que sou carioca, mas nem todos os seres femininos nascidos no Rio de Janeiro habitavam a mítica Ipanema ou desfilavam pelo calçadão da Avenida Vieira Souto a caminho do mar.



Esta carioca da gema, como se dizia no meu tempo de garota (nem esta parte da alcunha já serve!) nasceu no conservador bairro da Tijuca (eu já tinha avisado que gostava dos clássicos), uma espécie de Benfica cá da terra. Menos glamour e espírito libertário, mas nada que nos afaste do jeito carioca de ser.



Por falar em Rio de Janeiro, este título está muito badalado e quase esteve para não ser. Depois do "Ela é Carioca", livro do Ruy Castro já bastante comentado nas páginas dos jornais nacionais, também o mito Chico Buarque veio puxar dos seus galões. Se eles podem porque não eu, que tenho o mesmo direito, devidamente assinalado na certidão de nascimento? Uma das promessas que aqui fica é que ao longo das próximas linhas vou vos dizer o que é ser carioca, da perspectiva tijucana.



Por falar em Brasil, hoje encontrei uma discussão importante no blog do Observatório de Imprensa: "O objetivo do assessor de imprensa é cultivar e difundir a boa imagem daquele que o contrata. Para isso, ele não mentirá – é evidente que não, compromisso com a verdade também faz parte da ética do assessor de imprensa, ele não tapeará a opinião pública, não cometerá nenhuma indignidade –, mas dará mais realce ao que interessa ao seu cliente. Muitos alegam que o jornalista também trabalha para um patrão, o que é verdade. Só que o patrão não é o seu cliente. Tanto para o patrão do jornalista como para o jornalista empregado, é fundamental que o cliente de ambos – o leitor, o telespectador, o ouvinte, o internauta – acredite que eles buscam a verdade. Por isso, o compromisso deles é com seu cliente direto, o cidadão que consome a informação jornalística. Jornalistas e assessores trabalham para clientes distintos, para atender a necessidades distintas. Por isso, devem ser regidos por normas distintas." (JORNALISTAS & ASSESSORES DE IMPRENSA

Profissões diferentes requerem códigos de ética diferentes, por Eugênio Bucci em 5/9/2006, excerto da palestra proferida no Primeiro Seminário Nacional "Ética no Jornalismo", organizado pela Fenaj e pelo Sindicato dos Jornalistas de Londrina e Região, 31/3/2006, em Londrina (PR))



Já agora, alguém consegue me explicar porque um rapazinho usando um gorro azul com um guizo e uns patéticos sapatinhos vermelhos com laço consegue seduzir de forma devastadora uma rapariga dotada de grande senso crítico, apesar dos seus minúsculos 21 meses?

Christiana Martins

Jornalista