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Expresso

Ela é carioca

Apaixonei-me pelo porteiro

Já olhou bem para o seu porteiro? Tem a certeza de que o conhece? E aos seus vizinhos? Sabe o que estará por trás da porta do apartamento da frente?

Desde que a F. nasceu que as nossas, até então frequentes, idas ao cinema transformaram-se numa espécie de fruta fora da época: quando queremos não está lá. Mas ontem, arranjámos um tempinho e lá fomos nós em busca do escuro.

Para quem tinha o ritmo que nós também já tivemos, o filme de que vou falar é passado. Fomos ver "The lady in the water", de Night Shyamalan.

Confesso que gosto do realizador, apesar de ser alvo de críticas junto de um público que se considera mais intelectualizado.

No caso desta pequena fábula – escrita pelo realizador para as suas filhas -, a resposta para a salvação do mundo está nas mãos dos mais simples. Metáfora da urgência da necessidade de falarmos uns com os outros, o filme me fez pensar.

Moro há três, quase quatro anos, num edifício e não sei de cor o nome de nenhum vizinho. Nem do porteiro. Nem sei quantas pessoas moram no apartamento em frente ao meu.

Shyamalan recorre a vários símbolos de uso corrente na nossa sociedade, mistura tudo, faz as personagens transitarem de um papel estereotipado para outro, a grande velocidade. O fio condutor é, também ele, um ícone da sociedade norte-americana: a força de uma comunidade unida.

Tentando eliminar aspectos mais comerciais de um filme que visou o grande circuito, confesso que gosto da mensagem de esperança, na qual cada um de nós tem uma missão, ou um "propósito" como se diz na trama.

Mais do que rendida à narfa – uma espécie de sereia com pernas que sobe pelo cano da piscina -, rendi-me ao porteiro. Tímido, discreto, recheado de um passado que ninguém supõe existir. Um de nós.

E o vosso porteiro? Sabem quem é ou do que ele é capaz?

Christiana, jornalista