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Expresso

Ela é carioca

Ainda venta nas dunas

Quando eu os conheci, não sabia ao que vinha. Ainda trazia o Rio nos modos, mas como a recepção foi boa, fui-me deixando ir. Era um grupo simpático, acessível, em que os ditos veteranos pareciam ter prazer em confraternizar com os ditos calouros. Eles eram dos veteranos, eu caloura.

A Zé, O César e a Cláudia não entraram para o grupo mais restrito dos meus amigos, mas ficaram na minha história como colegas das saídas à noite, nos dois primeiros anos de faculdade.

Nunca trocámos inconfidências, mas chegámos a cantar juntos. Para mim, tanto fazia, as minhas referências musicais eram outras. Eles, todos do grupo, gostavam muito das Dunas. E eu lá tentava seguir-lhes o rasto, perdendo-me, desafinada, por aquelas areias.

A vida correu e nós quase nunca mais nos vimos. Com a Cláudia, lá ia falando, de vez em quando, sempre por causa do trabalho. A Zé e o César, nunca mais. Até ontem, quando cheguei à casa, depois de uma tarde muito bem passada com amigos do Brasil.

De repente, os três entraram, sem avisar, pela minha sala adentro. O discreto e bem humorado César, a Zé, com o seu olhar dúplice, e a Cláudia, toda ela. O som do vento nas dunas veio logo, o riso das conversas noturnas, a descoberta de Lisboa.

Isso, como tantas outras coisas, não se faz.

E as dunas, que já estavam longe, vão ficando cada vez mais distantes.

Christiana, jornalista