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Expresso

Couve de Bruxelas

Luísa Meireles

O "preço" polaco

A Polónia continua a aumentar o seu "preço" face aos Estados Unidos, que ali pretendem instalar componentes do sistema de defesa anti-míssil. Desta vez, fizeram saber que esperam dos EUA o mesmo tratamento de "parceiros estratégicos" como o Egipto e o Paquistão (?), segundo noticia a imprensa do país.

Escreve o "Warsaw Voice" que o ministro da Defesa Bogdan Klich disse que o seu país pretende que Washington se comprometa a ajudar a Polónia a modernizar as suas Forças Armadas: "as nossas expectativas não são de milhões, mas de dezenas de milhões". Os EUA prometeram até agora 47 milhões de dólares em ajuda militar à Polónia.

No âmbito do sistema de defesa anti-míssil, que supostamente deverá defender o velho continente e os EUA de um ataque proveniente de Estados "rebeldes" como o Irão, Washington pretende colocar 10 interceptores de mísseis no território polaco (e uma base radar na República Checa, no que estes já acordaram).

Mas a opção pelo território polaco, acordada com o anterior Governo dos gémeos Kaczynski, tem provocado uma forte "eripsela" ao seu grande vizinho russo, com quem Varsóvia está agora a procurar ter um diálogo menos crispado.

Há importantes questões económicas em jogo, a começar pelo célebre 'boicote' à carne polaca pela Rússia, que envenenou as relações euro-russas durante um bom tempo e que só foi possível ultrapassar também devido à "menor" prioridade dada por Varsóvia sistema de mísseis.

O jogo polaco é arriscado, mas o novo Governo de Donald Tusk não partilha de algumas premissas que inspiravam o Executivo anterior, entre elas um anti-europeísmo radical. É que, se também em Bruxelas ainda não se consegue perceber muito bem a necessidade de tal sistema, a Polónia, para já, precisa bem mais das ajudas europeias. Mais uma vez, é uma questão de prioridades.