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Expresso

Couve de Bruxelas

Europa - terra colonizada?

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Resolvi acordar a Couve da sua longa letargia por causa de uma notícia que acabei de ler - atrasada - no "Le Monde". Este circunspecto jornal faz aliás dela a sua manchete na terça-feira passada. Não resisto a passá-la, porque ela faz-nos pensar na velocidade a que muda o mundo e àquela a que tem de mudar a Europa.

Diz o jornal, citando um estudo da Ernst & Young, que a pujança económica do Sul se tornou já uma realidade tangível: em apenas sete anos, o peso na bolsa mundial das empresas oriundas dos países em desenvolvimento e, em particular dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), passou de 5 para 19%. São empresas como a Gerdau (aço, Brasil), Reliance Industries (petroquímica, Índia), Lenovo (informática, China) ou Rosneft (energia, Rússia).

Diz a consultora que (e traduzo) "entrámos na segunda fase da globalização. Os países emergentes já não são apenas um destino para os investimentos europeus, americanos ou japoneses. Constituem doravante o 'berço' de multinacionais que partem à conquista dos mercados internacionais".

Estas empresas têm também a característica de crescerem a uma média muito mais rápida e serem mais rentáveis que as suas homólogas ocidentais.

O sector mais espectacular é o da energia. Se em 1991, 55% dos 20 primeiros grupos neste sector eram americanos (e 45% europeus), em 2007 os BRIC representavam 35% dos 'top 20' (os europeus 35% e os americanos menos ainda - 30%). Recado a reter: os Estados petrolíferos e as companhias públicas nacionais partilham entre si 85% das reservas mundiais. Isto também diz alguma coisa sobre as perspectivas de condução da actual crise de combustíveis.

Diz o artigo, em jeito de conclusão, que nem tudo é assim tão mau para os europeus: se estas empresas partem à conquista de mercados, "resta-nos (a nós, europeus) tornarmos o nosso território atraente". E esta?

E se nos quisermos manter na corrida, recomenda-se a leitura do livro de Harold Sirkin, James Hemerling e Arindam Bhattacharya, "Globalização: Competir com todos, vindos de todo o lado, por tudo" (Globality: Competing with Everyone from Everywhere for Everything") O mundo é composto de mudança, pois é, mas não parece que vá dar para trocar as voltas. Já as trocaram.