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Expresso

Couve de Bruxelas

Durão Barroso perseguido pelo passado?

 

               

 

Em Bruxelas, as piadas sobre o passado maoísta de Durão são uma constante. Mas outro tema do seu passado mais recente arrisca provocar apenas sorrisos... amarelos.

 

Trata-se do financiamento ilegal do PSD pela Somague, em 2002, altura em que o partido era liderado pelo actual presidente da Comissão Europeia.

 

O assunto, tornado público recentemente em Portugal, foi retomado desde então por alguns jornais europeus (entre os quais La Libre Belgique e o Financial Times), segundo os quais os eurodeputados Verdes belgas se preparam para exigir explicações formais a Barroso.

 

La Libre, que titulava na sexta-feira que "O passado de Barroso ameaça o seu futuro", cita Bart Staes: "podemos perguntar-nos se ele (Durão) teria sido alguma vez sugerido como candidato à presidência da Comissão, ou se teria beneficiado do apoio do Parlamento", caso o assunto já fosse do domínio público quando isso aconteceu, em 2004.

 

O mesmo jornal considera que o assunto pode mesmo por em causa o "segredo de polichinelo" que são as ambições de Barroso a um segundo mandato em Bruxelas.

 

É certo que a imprensa belga não morre de amores por Durão, por este ter ultrapassado o "seu" primeiro-ministro na corrida para o cargo de presidente da Comissão.

 

E também é verdade que a questão do financiamento ilegal dos partidos é particularmente sensível neste país, depois do escândalo que abalou o respectivo panorama político nacional nos anos noventa, o célebre caso Agusta-Dassault (que envolvia o pagamento de luvas e subornos no processo de aquisição de helicópteros para o exército belga no final da década anterior e que levou à condenação de vários ministros socialistas à época dos factos, entre os quais Willy Claes, forçado a demitir-se do cargo de secretário-geral da NATO, em 1995).

 

Mas não seria a primeira vez que um assunto que começa por ser relativamente minimizado ou ignorado em Portugal acaba por adquirir grandes e inesperadas proporções à escala europeia, como aconteceu com as férias de Barroso no Verão de 2004, a bordo do iate de um amigo multimilionário grego.

 

E o facto de a "rentrée" comunitária estar apenas no início, com eurodeputados, eurocratas e jornalistas a começar a regressar a Bruxelas esta semana, pode indicar que a procissão ainda vai no adro.

 

Daniel Rosário