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Cibercidadania

Regras básicas (II): não ceder ao insulto

As conversas na web propiciam as inflamações de ego. Este é, provavelmente, o meio de comunicação mais quente, onde as trocas de opiniões podem muito facilmente descambar. As razões são de vária ordem, a começar na relativa impunidade que a web aparenta proporcionar, e a terminar na ausência de mecanismos de intermediação.

Os meios de comunicação de massas são em geral mais frios, ao ponto de terem de estimular a participação das suas audiências, quando as querem integrar. Quando isso acontece, há uma intermediação. De um editor, no caso das cartas dos leitores; do pivot nos casos da rádio e da televisão; de um administrador, nos casos de foruns em linha com aprovação prévia dos comentários.

A comunicação individual feita através de meios é em regra intermediada pelo tempo: nas cartas, hoje em desuso, nos compassos de espera a que o telefone obriga.

Face a face, a intermediação decorre da possibilidade do confronto físico. Estamos treinador para não ultrapassar as fronteiras, sob risco de nos vermos envolvidos numa desagradável escaramuça.

Ora, a web não possui nenhum dos tradicionais mecanismos de intermediação e o único que se podia aplicar, o tempo, é descartado pois na realidade não estamos a comunicar de um para um, estamos a comunicar de um para muitos.

Precisamos aprender a reagir convenientemente aos estímulos da leitura. É fácil interpretar erradamente o discurso de alguém num espaço de comentários, frequentemente levando a peito palavras ou frases que não nos foram intencionalmente dirigidas. Sem barreiras físicas por perto, é tentador para muitos o envolvimento em discussões de índole pessoal ou tribal.

Não virá daí mal ao mundo quando esses acalorados diálogos decorram de forma a não perturbar os outros frequentadores do espaço (tendemos a achar que só existimos nós e o interlocutor, na ausência física da maior ou menor multidão que na realidade "está ali" a seguir a conversa).

Infelizmente, são mais comuns as situações em que, tornando-se em rixas onde cada um se sente compelido a tomar um partido, as ofensas pessoais tomam conta dos espaços de opinião dos jornais e blogues.

É salutar começar por não ofender os autores e evite insultar os outros interlocutores. As críticas pessoais são desencorajadas nos espaços abertos do Expresso.

Paulo Querido

jornalista e moderador da cibercomunidade