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Cibercidadania

Nós somos a máquina/a máquina usa-nos

Mais de 1400 "votos" no Digg (link), o mais popular website de escolhas públicas americano (Digg is a digital media democracy, dizem eles), são um dos principais sinais do imenso reconhecimento que teve, em todo o mundo, o video que aqui se apresenta.

Intitula-se Web 2.0... The Machine is Us/ing Us e foi produzido por um professor assistente de antropologia cultural da Universidade do Kansas, Michael Wesch. Em cinco dias teve uma difusão enorme: perto de 100.000 visualizações só no YouTube e pelo menos 1.500 menções em blogues e jornais.

Vale mesmo a pena ver os quatro minutos e meio. Desde logo porque é uma demontração de que é possível realizar uma obra cuidada e que passa uma mensagem com grande eficácia usando meios reduzidíssimos: basta uma webcam. Actualmente o trabalho de Wesch consiste em animar um grupo de trabalho da sua universidade que se dedica a explorar as possibilidades da etnografia digital (Digital Ethnography). Este video é um dos primeiros resultados.

A extrema simplicidade gráfica e de meios sustenta um storyboard perfeito. Em quatro minutos e meio era impossível explicar melhor o que é a web 2.0, em que medida, e como, este segundo movimento tecnológico dá ao indivíduo um poder inédito – e desenganem-se os que julgam ser esse poder apenas mediático: virá já a seguir a utilização da informática para muitas outras finalidades, algumas delas bem ameaçadoras.

Ao longo de quatro minutos Wesch explica o título até à barra: a máquina somos nós e o que temos feito (e o que podemos fazer) com as tão simples quanto poderosas ferramentas editoriais, dos blogues aos wikis. Nos últimos trinta e um segundos, para os quais chamo a particular atenção dos leitores, o professor diz-nos o que está para lá da barra: a máquina usa-nos, na medida mcluhanista em que nos faz repensar conceitos que a nossa civilização deu por adquiridos ao longo dos últimos dois séculos: a autoria, a identidade, a ética, a estética, a retórica, a governação, a privacidade, o comércio, o amor, a família – Nós Próprios.

Ora vejam.

Paulo Querido, jornalista e moderador da cibercomunidade