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E você, é dependente do correio electrónico?

A rede provoca alguns desvios de comportamento perniciosos. A dependência do e-mail está na ordem do dia por duas razões: especula-se sobre o seu custo para a produtividade e florescem programas de "tratamento".

"Há uma crise na corporate America mas muitos CEO não sabem", avisa Marsha Egan, executive coach no estado americano da Pensilvânia. "Ainda não perceberam quanto lhes está a custar". Convém notar que Marsha está a vender o seu programa de 12 passos para lidar com a obsessão pelo correio electrónico. O que não a impede de ter razão. Tal como outros serviços que promovem a interactividade na rede, o e-mail pode provocar dependências que além de representarem um problema para os empregadores (horas de trabalho desperdiçadas e recursos informáticos consumidos) significam uma diminuição para a vítima.

Entre os clientes de Marsha Egan está -- conta o press-release que está a dar a volta ao mundo, da Nova Zelândia ao Reino Unido -- um golfista que consulta o mail através do seu PDA entre cada buraco, perdendo a atenção de amigos e de potenciais clientes.

Para além destes casos de bandeira, todos nós conhecemos alguém que parece nutrir pelo e-mail um verdadeiro fascínio, ao ponto de não conseguir passar por um computador sem ir verificar a caixa de correio.

Ao ler os pontos de verificação que a executive coach propõe para descobrirmos se somos e-mail e-ddict, verifico que preencho alguns requisitos!

  • Se não recebe correio por um período alargado de minutos, envia uma mensagem para si próprio só para verificar se os sistemas funcionam
  • (Claro!)

  • Vai ler o que chegou CADA VEZ que o computador anuncia uma mensagem...
  • (Não)

  • Fica aborrecido se não recebe resposta a uma mensagem que enviou há uma hora...
  • ( Nopes)

  • Pára o que estiver a fazer só para responder a um e-mail "fácil", mesmo que não seja importante
  • (Hum... às vezes, sim)

  • Vê o correio mal salta da cama
  • (Certamente que sim!)

  • Quando conhece alguém, pede o endereço de correio electrónico em vez do número de telefone
  • (Claro. Sinal dos tempos, não?)

  • Abre o e-mail antes de fazer qualquer outra coisa
  • (Sim...)

  • Carrega "enviar/receber" por hábito...
  • (Hum... sim)

  • Mantém permanentemente mais de cem mensagens na pasta de entrada
  • (A média é inferior. Não é raro estarem lá 150 ou mesmo 200 mensagens, mas a esmagadora maioria são informações de acompanhamento dos sinais vitais dos infobots que "trabalham" para mim e por mim)

  • Carrega "enviar/receber" só para ter a certeza que não lhe escapou nada
  • (Não)

  • De hora a hora, ou menos, vai ver se os filtros anti-spam funcionaram para ter a certeza que nada lhe escapa
  • (Nem pensar! Já perdi a confiança no e-mail há muito...)

  • Envia uma mensagem ao seu colega do lado em vez de dar a volta e fazer-lhe a pergunta face a face...
  • (Não vou a esse ponto!)

Apesar das respostas positivas, penso que dificilmente me poderia considerar viciado no correio. Sou apenas uma pessoa que desenvolveu um tipo de vida em que o principal das actividades profissionais decorre por e-mail. Quase não o uso para correspondência pessoal, não participo em mailing-lists à excepção de duas listas de trabalho. A maioria dos tele-trabalhadores (como eu) desenvolveu tiques como o de premir o botão "Receber" e é natural que consulte o correio entre o momento de levantar e o duche matinal, como forma de começar a preparar o dia.

É certo que as alterações de comportamento não prefiguram por si só casos de Internet Addiction Disorder. Há vários tipos e graus de dependência. E comportamentos esperáveis numa pessoa que trabalha principalmente com o e-mail podem ser maus sintomas noutra pessoa. Além da caixa de comentários abaixo o leitor poderá contribuir com a sua experiência no forum que o Expresso abriu esta semana, onde se pergunta: conhece casos de dependência da Internet?

Paulo Querido, jornalista e moderador da cibercomunidade