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Comentários: espaços públicos ou privados?

Notei nos últimos dias, nalgumas conversas sobre os comentários, o que considero um erro de apreciação: alguns leitores parecem achar que os foruns e caixas de comentários disponibilizados pelo Expresso são locais públicos. Ora, eu não tenho a certeza. Ou por outra, tenho fortes dúvidas. E o assunto é pertinente, pois condiciona o olhar e a forma como nos comportamos.

Por um lado, são zonas públicas no sentido em que todo e qualquer leitor, e não apenas os assinantes, pode nelas "estar", pela dupla via da leitura e da participação activa. Se quisermos ser mais específicos na linguagem, são zonas abertas.

Mas permanecem espaços de direito privado. Isto é, o proprietário do estabelecimento, no caso o Expresso, não é o Estado nem um organismo público, é uma empresa privada e não sujeita ao mesmo tipo de regras que a administração dos bens colectivos.

O Expresso tem o direito de apagar, sem qualquer explicação, qualquer comentário e abrir ou encerrar a seu bel prazer os foruns e caixas de comentários. Pode não ser uma coisa simpática de fazer, mas não é de marketing nem de imagem que estamos agora a tratar.

Na prática, há leitores que usam os espaços disponibilizados pelo Expresso (e por inúmeras outras entidades privadas) como quem usa uma estrada ou um jardim.

Mas enquanto um jardim é verdadeiramente um espaço público, financiado, sustentado e gerido pelos representantes da sociedade para tal eleitos, a caixa de comentários por baixo deste texto é um espaço aberto à colaboração de todos, é um convite explícito à participação mas está sujeito a regras. Está -- ou devia estar. Na verdade, tanto o Expresso como outras entidades nunca sentiram a necessidade de explicar o que a muitos parece óbvio. Mas isso é assunto para outra conversa. Por aqui ficamos com a questão: as caixas de comentários no Expresso e na web em geral são espaços públicos ou privados?

Que pensa o leitor?

Paulo Querido

jornalista