Siga-nos

Perfil

Expresso

Telegramas da saída limpa

Economia, um ministério que se desfaz à nossa frente

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

Almeida Henriques abandonou hoje a Secretaria de Estado da Economia. Parece que quer ganhar a Câmara de Viseu e está no seu direito. Almeida Henriques saiu pela mesma porta que, há apenas um mês, foi atravessada na mesmíssima direção por três outros secretários de Estado do mesmo ministério. Ou seja, num mês houve quatro secretários de Estado que abandonaram o mesmo ministério: Cecília Meireles, pela simples razão de que detestava estar no governo e não percebia rigorosamente nada de turismo; Pedro Martins, porque se revelou um desastre nas negociações da Concertação Social e estava bem era em Londres; e Carlos Oliveira, porque um bom empreendedor pode passar por um governo sem empreender grande coisa. Antes deles, já tinha saído pela mesma porta Henrique Gomes, um homem que veio à capital com a missão de cruxificar António Mexia e que regressou à terra enxovalhado pela EDP em praça pública.

Naquele palácio da Rua da Horta Seca, da equipa inicial já só sobra Sérgio Monteiro e, claro, o ministro Álvaro Santos Pereira. Em dois anos, uma equipa de seis governantes perdeu quatro! Podia, agora, gastar muitas linhas a explicar porque é que isto aconteceu, como os secretários de Estado foram deixando de falar uns aos outros ou como o ministro foi perdendo o respeito de vários deles e vice-versa. Mas fico pelas mais simples: aquele ministério da Economia era uma aberração óbvia aos olhos de qualquer pessoa que acompanhasse as várias pastas que foram fundidas em 2011; a ideia de juntar o Emprego (logo agora!), as Obras Públicas e os Transportes com a Economia saiu da cabeça de gente sem experiência de governo, que se impressiona com powerpoints de consultores; a ideia de convidar para a pasta um ministro sem qualquer experiência política ou de gestão tornou tudo isto ainda mais óbvio; por último, o facto do ministro não ter tido direito a convidar quase nenhum dos seus secretários de Estado acabou com o resto.

Para mostrar que o delírio não tem limites, o governo anunciou hoje que a pasta de Almeida Henriques será assumida pelo resto da equipa. Óptimo, mas acontece que Almeida Henriques tem a seu cargo os fundos comunitários. Vamos deixar os fundos comunitários, o pouco dinheiro que nos resta, nas mãos de várias pessoas? Não preferem antes jogar à roleta russa? É mais emocionante e, quando corre mal, sempre dá para cortar na despesa.

Não percebo como é que, no meio desta crise, Portugal se pode dar ao luxo de não ter um Ministério da Economia.