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Ré em causa própria

Impostos, casamentos, "Playboy", gravadores, fé e futebol...

Viramos as costas e numa semana tudo se muda. Os tempos mudam-se súbita e irreversivelmente. As vontades, essas já vinham mudando.

Adelina Barradas de Oliveira (www.expresso.pt)

Viramos as costas e numa semana tudo se muda.

Os tempos mudam-se súbita e irreversivelmente. As vontades, essas já vinham mudando.

No espaço máximo de duas semanas o Sr. Presidente da República , com o timbre que lhe é próprio e a frontalidade que lhe conhecemos há muito, promulgou a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo e argumentou  para tanto que teve em conta o superior interesse nacional, face à dramática situação em que o País se encontra. E assim de nada adiantaria submetê-lo de novo à Assembleia da República porque  as forças políticas que o aprovaram voltariam a aprová-lo.

Nessas circunstâncias, o Presidente da República seria obrigado a promulgá-lo no prazo de oito dias."

 Digam o que digam, actuou com sensatez, pensou no País e deixou-se de guerrilhas.

Quer queiramos quer não, está Presidente e sabe estar, para além de que, indiscutivelmente, sabe sê-lo.

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 Não querendo misturar  assuntos que não são misturáveis, reparei que no mesmo espaço temporal, uma professora deste nosso país à  beira mar plantado, se despiu para a revista "Playboy" portuguesa, provocando uma discussão infrutífera, que lhe fez ganhar a dúvida de poder ou não continuar a ser professora, tendo em conta a venda súbita e rápida da revista.

Aposto que muitos gostariam de ter comprado a revista, mais que não fosse, pela curiosidade mórbida de ver o que só alguns puderam ver.

Hipocrisia. Continuamos pequeninos. Podia a professora ter sido cautelosa, podia não ter sido ingénua, podia ter ganho um pouco mais  dinheiro para além do seu parco salário de professora se tivesse vendido a imagem à "Playboy" de outro país, mas perdeu com isso as qualidades que os concursos lhe reconheceram?

País pequeno e preocupado com coisas que não valem nada como  as aparências - públicas virtudes e  vícios privados.

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 Aconteceu também que a carga fiscal caiu sobre os vencimentos. A crise impõe que assim seja. Então descontemos já em Julho. Não, descontemos em Junho. É apenas a questão de uma letra, lapso de escrita?

Décimo terceiro mês? Descontos também. Espero que os descontos que se farão aos que declaram o que realmente ganham, sirvam para nos ajudar a levantar cabeça.

É pena que alguns que declaram o ordenado mínimo nacional ou pouco mais, e que vivem acima das possibilidades desse tal ordenado que declaram, não sejam também tributados. E isso, não pode quem controla a máquina fiscal, desconhecer pelo que, tem por obrigação fiscalizar.

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Pois é, no espaço de uma semana, subiram impostos, alguém se despiu para o País ver, uma lei foi promulgada e, desapareceram uns gravadores.

O Santo Padre subiu ao altar do Mundo de forma humilde e surpreendente, com um discurso inesperado que me fez voltar a acreditar nos homens que estão à frente da Igreja.

O Mundial está aí à porta.

O Povo vai esquecendo ou fazendo de conta que esquece.

Mas espero que não totalmente porque, Povo do meu País, "pode haver quem te defenda



Quem compre o teu chão sagrado



Mas a tua vida não."

ACCB