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RTP: a aristocrata intocável

A RTP é a rainha do desperdício. Entre 2003 e 2009, a RTP recebeu do estado 2000 milhões de euros. São 300 milhões por ano para fazer um não-serviço público de TV.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. A RTP, com a conivência de todos os governos (não apenas deste), comporta-se como uma aristocrata intocável: vive acima do país, vive acima dos problemas dos portugueses. Portugal está em crise há 10 anos, mas repare-se nos números da RTP: a TV pública recebeu 2000 milhões de euros do Estado entre 2003 e 2009; mesmo recebendo uma média de 300 milhões por ano, a RTP teve um prejuízo de 14 milhões no ano passado; a RTP tem um passivo bancário de 808 milhões de euros. A gestão da RTP é este desastre que se vê, mas não faz mal: o Estado compensa. A RTP vai receber este ano quase 300 milhões de euros em "indemnizações compensatórias", taxas de audiovisual e aumento de capital.

II. Além de depenar o contribuinte, a RTP é um concorrente desleal da SIC e da TVI. As estações privadas vivem apenas da publicidade. A SIC e a TVI fazem mesmo televisão, não estão no negócio da TV para agradar-ao-poder-político-que-manda-em-nós. A RTP, que recebe gorjetas faraónicas do Estado, também está no mercado da publicidade. Ora, isto é a mais cínica concorrência desleal. Se tiverem uma gestão desastrosa, a SIC e a TVI fecham as portas. Se tiver uma gestão desastrosa (como tem sido o caso), a RTP recebe prendas do Estado. E tudo isto porquê? Porque existe o mito de que "serviço público" só pode ser prestado por uma entidade pública. Mas deixem-me fazer uma pergunta: que estação faz serviço público em Portugal? A RTP ou a SIC-N?

III. O país precisa de voltar a debater a RTP (e toda a cadeia soviética de serviços de comunicação social do Estado). Privatizar? Colocar a RTP no modelo da PBS (um canal público - um só -, sem publicidade, com um orçamento claro e preciso, com um modelo claro e preciso a seguir)? Seja qual for a solução, esta aristocrata não pode continuar como está.