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A Tempo e a Desmodo

Respeito pelos ex-combatentes

Parabéns a Cavaco Silva e a António Barreto: os nossos ex-combatentes já mereciam este sinal de respeito há muito tempo. São homens, são portugueses. Não são "fascistas" ou "colonizadores".

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Portugal prestou, finalmente, homenagem aos nossos homens que combateram nas guerras africanas. E António Barreto disse tudo sobre este assunto: Portugal tem de ter maturidade democrática para respeitar aqueles ex-soldados, que deram tudo pelo seu país. Ou seja, Barreto deixou uma mensagem clara, e que é rara na cultura política portuguesa: o país está antes dos regimes. Os regimes vão e vêm, mas o país fica. Sim, o regime salazarista era autoritário e estava fora do tempo. Sim, aquela guerra foi uma idiotice política. Mas estas análises políticas não podem pôr em causa a dignidade dos portugueses que lá combateram.

II. Os nossos ex-soldados incomodam muita gente. É natural. Incomodam uma esquerda que fez uma descolonização desastrosa. Incomodam uma direita que defendeu a ideia do Portugal pluricontinental. E, depois, fazem relembrar o assunto dos retornados, que continua a ser um tema tabu em Portugal. Sim, são incómodos, mas estes homens não podem ser desprezados. Estes homens merecem a nossa consideração. E não, não estou a falar de subsídios. Estou a falar da moeda mais forte: o respeito.

III. Sobre este assunto, convém ver o filme "20.13", e convém ler o livro "As guerras coloniais portuguesas e a invenção da História" (ICS), de Luís Quintais. Se a minha memória não me falha, este livro foi o primeiro contacto académico com o mundo dos ex-combatentes.