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Expresso

A Tempo e a Desmodo

O povo tem razão: há "tachos" a mais

A UE quer mais redução da despesa. Óptimo. Podemos começar por reduzir os lugares de chefia da REFER, da ANA, do METRO, etc., etc.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. O ministério das Obras Públicas é, na verdade, um verdadeiro ministério do "tacho". As empresas públicas anexadas a este ministério põem qualquer contribuinte mal disposto. Segundo o jornal i, a REFER tem 158 cargos de chefia. 158 (cento e cinquenta e oito). E estamos a falar de uma empresa que tem apenas 3500 trabalhadores. Não é preciso ser um génio da matemática para se perceber que há "chefes" a mais na REFER. A ANA não se fica atrás: 115 chefes para um total de 2600 trabalhadores.

II. E quanto ganha este enxame de "chefes"? A média é de 6300 euros, mas na ANA a conta chega aos 8200 euros por cada chefe. Estas contas, que já eram irritantes, tornam-se inaceitáveis quando ficamos a saber que a maioria destas pessoas são "assessores" das chefias efectivas, e que não têm pessoas para chefiar. São chefes sem chefiados. Quem são estas pessoas que ganham balúrdios mas que não têm nada para fazer dentro destas empresas? Boys partidários que arranjaram ali os "tachos" das suas vidas?

III. O nosso Estado está a saque. Foi saqueado por este exército de assessores/boys partidários. E o resultado deste saque está aí: o total das dívidas destas empresas públicas é de 20 mil milhões de euros. Pior: não há limite para as transferências do Estado para estas empresas. Estes boys podem ganhar o que quiserem, podem gastar o que quiserem, que, depois, o idiota do contribuinte paga a factura.