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O Mundial sem Europeus

A selecção de futebol gaulesa é o símbolo perfeito da decadência da França (e da Europa). Já não têm o poder de outrora, mas os franceses (e os europeus) mantêm uma pose altiva. Daí o ridículo.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Este Mundial de Futebol é uma espécie de metáfora futebolística do declínio europeu. É mesmo o "Mundial sem Europeus". Eslovénia, Dinamarca, Sérvia, Grécia, França, Itália já ficaram pelo caminho. E a Inglaterra ficou em segundo lugar do seu grupo, sendo superada pelos EUA. Mas o caso pior é mesmo o da França, que recusou perdeu com dignidade. Aquele gesto do treinador francês (recusando cumprimentar o treinador da África do Sul) vai ficar na cabeça de milhões de pessoas como a representação máxima da arrogância francesa.

II. De facto, esta selecção francesa é o símbolo perfeito da França por inteiro, essa França que é incapaz de enfrentar de frente o seu declínio. Tal como defendeu Isabelle Lasserre, existe um abismo intelectual entre a auto-imagem da França e a realidade internacional: a elite francesa continua a declarar que a França é uma potência global, mas, na verdade, a França é uma potência média em declínio.

III. Tal como tenho defendido, este é maior problema do "ar do tempo" europeu: a elite europeia revela uma incapacidade congénita para assumir o declínio da Europa. O vício do eurocentrismo não o permite. Aos europeus, em geral, e aos franceses, em particular, falta a coragem intelectual de Mathias Énard: "não nos podemos esquecer que, no panorama mundial e mesmo ao nível da Europa, a França a é um país pequeno".