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A Tempo e a Desmodo

O dia em que traí o Benfica

Uma das coisas que me entristece no Benfica é a ausência de jogadores portugueses, o desprezo pelos meninos do canteiro (convenhamos que canteiro é mais interessante do que a habitual espanholada, cantera). E a falta de raízes nacionais também afecta as outras modalidades. Eu percebo a presença de dois ou três estrangeiros na equipa de basquete, mas já não aceito a hegemonia estrangeira. Se somos o "maior clube de Portugal", não temos responsabilidades especiais na valorização do jogador português? Mas esqueçam lá este lero-lero da responsabilidade cívica, porque a questão é bem mais simples. O ponto é básico, primário, tribal, é a nossa identidade. Sem jogadores portugueses não há equipas do Benfica. Podem vestir a camisola encarnada, até podem palrar as papoilas saltitantes, mas não são o Benfica. 

É por isso que, às vezes, torço pelos equipas cheias de portugueses que jogam contra o Glorioso. Calma, não me deserdem já. É só às vezes, quando ninguém está a ver e o jogo tem de ser numa modalidade que não implique pés e balizas. Foi o que aconteceu na final do campeonato de basquete da época passada entre Benfica e Académica. Estava por acaso em Coimbra, e vi o último jogo no pavilhão novo ao lado do estádio. Já sou mais ou menos de Coimbra por razões familiares, mas não foi essa a razão da traição. Torci em silêncio pela Académica, porque o Benfica parecia uma equipa americana. A ligação daqueles jogadores ao Benfica estava apenas no seu profissionalismo, e isso não chegava, não chega. Cometi adultério com a Académica, porque aquela era a equipa mais portuguesa, porque tinha um base português que fazia lançamentos à Carlos Lisboa, triplos impossíveis do canto. O Benfica lá ganhou, sim senhora, mas ganhou com aquela competência fria de quem sabe que é muito superior, faltou a pitada de energia, de emoção, a tal mística. 

Não me confundam, por favor, com um D. Quixote nacionalista. Não estou a defender equipas exclusivamente nacionais. Isso não é possível, nem desejável. Mas é preciso encontrar um equilíbrio entre estrangeiros e portugueses. O Benfica, para ser Benfica, não pode ser um stand de jogadores argentinos ou sérvios a caminho do Real Madrid ou um stand de jogadores americanos que não conseguiram entrar nas NBAs desta vida. O Benfica, para ser Benfica, precisa de portugueses. Sim, bem sei que a actual direcção não quer saber deste discurso identitário. Sim, eu sei que esta direcção acha que a mística cai dos céus e de discursos ocos sobre o "maior clube português". É por isso que vou continuar a pular a cerca de vez em quando. 

 

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