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Expresso

A Tempo e a Desmodo

Estou farto de ser roubado. E você?

O Bloco Central 'informal' orquestrou mais um roubo fiscal. Sócrates e Passos são incapazes de mexer no problema-chave: a despesa corrente do Estado, isto é, os salários dos 700 mil funcionários públicos.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Os impostos "temporários" apresentados por Sócrates e Passos não vão ser temporários. Porque, para o ano, vamos ter de pagar mais obras, mais PPP, mais brincadeiras de engenharia do sr. engenheiro e do dr. da Mota Engil. Mais: dado que este "pacote" de emergência não ataca o problema central, a despesa corrente do Estado, estes impostos "temporários" serão mais um seguro de vida "permanente" para os direitos adquiridos da nossa simpátia e competente função pública.

II. O anúncio de redução de salários de 5% nos políticos e gestores públicos não passa de populismo, tal como dizia ontem Miguel Coutinho no DE. Essa redução é financeiramente irrelevante. Acho bem - atenção - que se faça essa redução: em termos simbólicos é necessária (em política, a simbologia conta). Mas em termos financeiros essa redução é uma gota no oceano. E o oceano são os salários dos mais de 700 mil funcionários públicos. Nós temos de reduzir entre 5% (como em Espanha) e 10% (como na Irlanda) os salários da função pública. Não há como fugir a isto.

III. Os gastos com a função pública e com a Segurança Social estão a dar cabo do país. O país não aguenta estes salários e estas reformas. Chamem-me o que quiserem, mas esta é a realidade factual (não a realidade virtual das ideologias): os direitos da função pública e as reformas actuais estão acima das possibilidades do país. Mais cedo ou mais tarde, o país vai ter de reconhecer isso, e assumir o fim do sonho dos direitos eternamente expansivos.

IV. Três quartos da despesa do Estado resultam de vencimentos da função pública e de despesas sociais. Não há como fugir a isto. Temos de cortar aqui. A sociedade não pode continuar a ser roubada fiscalmente. É ultrajante continuar a pagar impostos para um Estado que recusa emagrecer.