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Expresso

A Tempo e a Desmodo

As incoerências da banca portuguesa

Os nossos banqueiros queixam-se da falta de poupança, mas não abrem depósitos com juros atractivos. Em Espanha, já se faz isso.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Políticos e banqueiros acordaram para a necessidade da poupança. Até 2008, o indivíduo que apelasse à necessidade de poupança corria o risco de ser considerado um verme do "antigamente", um verme do "bolor salazarista". A democracia tinha de ter muito consumo. Casa. Segunda casa. Carro. Dois, três carros. Um telemóvel. Dez, vinte telemóveis. Agora, com a realidade a destruir as ilusões de políticos e da população, a poupança, afinal, já não é o papão do antigamente.

II. O governo vai lançar "Certificados de Tesouro" (CT), com o objectivo de atrair a poupança dos portugueses. Mas, quando se olha para aquilo que pode render um CT, parece-me que isto não vai atrair a poupança necessária, nem vai criar novos hábitos de poupança nos portugueses. Uma nova Era da Poupança só terá o seu início quando os bancos abrirem aplicações de poupança com juros atractivos.

III. Os nossos banqueiros queixam-se de que os portugueses não poupam, mas depois não fazem nada para mudar essa situação. Em Espanha, o Banco Santander lançou o "Depósito Ganador", com uma taxa de 4%. Captou €30 mil milhões e aumentou em 2,1 pontos a sua quota. Claro que os outros bancos fizeram queixinhas, mas esse é um problema deles. Num regime de concorrência é assim que as coisas funcionam. E ainda por cima do Santander fez aquilo que o tempo exige.

IV. Por que razão os nossos bancos não fazem o mesmo? Em Portugal, não vai haver ninguém a lançar um depósito de poupança a sério? Ninguém quer quebrar o statu quo? Será que em Portugal o banqueiro x tem medo de incomodar o banqueiro y com uma medida normalíssima numa economia concorrencial? Há demasiado "amiguismo" entre os nossos banqueiros?