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Expresso

A Tempo e a Desmodo

As andanças de Mário Lino II

Caro Mário Lino II (aka António Mendonça), leia devagarinho os meus lábios: o TGV tira o crédito às empresas. Isto não é física quântica ou teologia medieval. Não é difícil, sr. Professor.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Ontem, ao ver o telejornal da SIC (o das 20.00) não parei de rir. Porque o dito telejornal reportou, com fina ironia, o humor involuntário do Ministério das Obras Públicas. De manhã, o secretário de estado deu a entender que o preço dos títulos dos transportes públicos podia aumentar. Estas declarações, como é óbvio, criaram imenso "ruído" durante a tarde. Ora, pouco antes do início dos telejornais, o Ministério das Obras Públicas emitiu um comunicado que desautorizava aquela ideia do secretário de estado. Isto, per se, já revelava o desnorte da casa de António Mendonça. Mas a coisa tornou-se absolutamente patética quando o pivot afirmou que as redacções receberam - logo a seguir - outro comunicado que desmentia o primeiro comunicado. Uma situação patética, que revela como o nosso governo está de cabeça perdida.

II. No mesmo telejornal, vi e ouvi o desespero dos nossos empresários: o crédito está cada vez mais difícil. É óbvio. A crise mudou as regras do jogo. O dinheiro será cada vez mais escasso e caro. E, como se isso já não fosse suficiente, o nosso governo aposta nas obras públicas, que, como se sabe, são sugadoras de crédito. Perante a crise e perante a burrice do nosso governo, a matemática da nossa desgraça não é difícil de calcular: se o crédito vai para a farsa faraónica do TGV e da ponte, então, esse crédito já não vai para as empresas que vivem na economia real dos bens que se podem vender lá fora. O nosso Mário Lino II é um génio da economia.