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Expresso

A Tempo e a Desmodo

A petulância da função pública

Macário Correia tem razão: há funcionários públicos a mais, e, mesmo assim, trabalha-se pouco nas câmaras. Se estão a mais, por que razão não são dispensados?

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. O despacho de Macário Correia devia ser fotocopiado por todos os autarcas do país: "temos prazos a cumprir e tenho mais funcionários públicos do que preciso. Era desejável que não fossem tantos". Mais: "os serviços municipalizados têm milhares de processos atrasados. Cidadãos e empresas esperam ansiosamente por respostas. Entretanto, dezenas de funcionários passam horas do tempo de serviço pago pelos contribuintes em amena conversa nos bares". Bingo.

II. Estas declarações só pecam por tardias (foi preciso chegarmos a este estado de coisas para os autarcas começarem a dizer o óbvio?). Macário tem toda a razão: esta petulância da função pública é vista e sentida - todos os dias - por todos aqueles que têm o azar de precisar de alguma coisa das câmaras municipais: esperamos uma eternidade por uma autorização municipal; sempre que vamos a um guichet somos recebidos com aquela petulância típica do funcionário público, que se julga acima do resto, que age como se estivesse a fazer um favor ao cidadão. Em Portugal, a função pública acha que o país existe para servir a função pública, e não o inverso.

III. Enquanto os funcionários públicos passam a vida nos bares e nas caixas de comentários da net, as pessoas, cá fora, desesperam com os atrasos da função pública. E, depois, esta notável casta de gente ainda tem a lata de pedir aumentos salariais todos os anos. E no meio disto não se percebe uma coisa: se há excesso de funcionários públicos (e os bons funcionários públicos, honestos e cumpridores, sabem disso), por que razão as câmaras não despedem aqueles que estão a mais?