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Expresso

A Tempo e a Desmodo

A hipocrisia da esquerda caviar

No Egipto, as autoridades vão retirar a nacionalidade a todas as pessoas que casaram com israelitas. Onde é que estão as 'manif' junto da embaixada do Egipto?

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. A esquerda caviar tem indignações selectivas. Os nossos 'progressistas' apenas ficam incomodados com os actos de Israel e dos EUA. A Coreia do Norte afundou um barco da Coreia do Sul, matando dezenas e dezenas de pessoas. Perante isto, os nossos progressistas nada disseram (para o PCP, a Coreia do Norte ainda deve ser uma democracia). Todos os dias, o mundo muçulmano, lá e cá, viola os direitos das mulheres e dos homossexuais. Que dizem e fazem os nossos progressistas? Nada. Os "progressistas" do BE adoram apoiar os movimentos mais "reaccionários" do mundo (os islamitas).

II. No Egipto, as autoridades civis preparam-se para retirar a nacionalidade a 30 mil pessoas que escolheram casar com israelitas. Em 2005, um líder religioso lançou essa fatwa contra o casamento entre egípcios e israelitas. Ontem, as autoridades civis legitimaram essa fatwa. Perante este acto racista, o que faz a nossa esquerda 'tolerante'? Nada. Como se sabe, o racismo é propriedade dos povos 'brancos'.

III. O que poderá levar a nossa esquerda a fazer uma 'manif' contra um Estado muçulmano? Bom, seria preciso que o Egipto, por exemplo, fizesse leis contra os gays. Mas esperem lá: o Egipto já tem leis contra os gays. "Ser-se gay" no mundo árabe é sinónimo de doença e de morte na prisão. Noutros países islâmicos, "ser-se gay" é o mesmo que morrer através de uma chuva de pedras. Mas a nossa esquerda não faz nada por estes gays. Para a nossa esquerda, os gays muçulmanos são gays de segunda.