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A farsa socrática: vamos ter meio TGV

José Sócrates teve várias oportunidades para ser um estadista; teve várias chances para suspender todas as grandes obras (TGV incluído). Agora, fica com uma situação ridícula nas mãos: vamos ter meio TGV.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Meio TGV, eis a herança da modernidade socrática. E este meio TGV ainda é uma migalha desnecessária da velha teimosia de José Sócrates: o TGV até ao Poceirão também deveria ter sido suspenso. Porque é um pouco patético esta coisa de Portugal ter um TGV que não chega a Lisboa. José Sócrates não quis admitir que estava 100% errado. Com este semi TGV, quis mostrar que, vá, estava errado apenas a 70%.

II. José Sócrates fez uma campanha eleitoral assente numa mentira económica. As eleições de Setembro foram uma pequena farsa: a realidade era negra, mas José Sócrates navegou na falácia rosa. Depois das eleições, José Sócrates teve vários meses para admitir o erro. Mas nada mudou naquela cabeça. Ainda na semana passada, o primeiro-ministro recusava qualquer desvio no seu caminho czarista. Foi preciso um puxão de orelhas das autoridades europeias para José Sócrates admitir, finalmente, que estava errado. Como diz Martim Silva, José Sócrates foi mesmo o último a perceber o óbvio. E, agora, no final desta farsa, José Sócrates deixa-nos com esta situação que parece saída de uma anedota: meio TGV. Para que serve um TGV que pára no Poceirão? Custava assim tanto suspender a obra por completo?

III. Alguns meninos do PS parece que estão zangados com José Sócrates. Estes meninos queriam que o primeiro-ministro continuasse na fantasia. A realidade, essa entidade suja, é coisa para a direita. A esquerda, essa senhora excelsa, apenas pode habitar a fantasia. Os outros que apaguem a luz, não é?

IV. É evidente que Teixeira dos Santos é o novo primeiro-ministro de Portugal. Graças a deus.