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O cidadão António Costa

O país arde, morrem mais de cem pessoas, mas não é nada com ele; até se sente a falta de empatia de Costa. Há motins numa cadeia, mas não é nada com ele. Quando as coisas correm mal, António Costa passa a ser o Tó, cidadão comum

Há uma cena que define esta personagem escorregadia que nos calhou em sorte. Está gravada. A personagem, então presidente da Câmara de Lisboa, está a inaugurar uma obra no Marquês, é todo sorrisos e boas notícias. De repente, alguém repara num erro (as sarjetas estão tapadas). Nesse instante, António Costa sai literalmente de cena e aponta o dedo para uma vereadora, Ai, isso aí é aqui com a vereadora! Este instinto define-o. Não, não comecem com as loas ao “génio da tática”. Não, não é tática. É cobardia, é ausência de liderança, é incapacidade para dar a cara nos momentos difíceis.

Como é que um primeiro-ministro consegue colocar tanta distância mental e até moral entre a sua ação e aquilo que acontece no país que dirige? Esta distância que ele coloca entre si e as más notícias chega a ser inverosímil. Como é que ele consegue? Há dias, aquando da tragédia de Borba, o primeiro-ministro de Portugal veio logo dizer que o Estado (por ele dirigido) é uma pessoa coletiva juridicamente diferente da Câmara de Borba. Claro que é. E claro que a culpa por Borba não é com certeza de Costa, mas é chocante ver como o instinto do primeiro-ministro é sacudir água do capote.

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