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Luz e lata

Luz e Lata no online, faz hoje um ano

Luz e Lata? SIM

Paulo Silva

Fátima Pinheiro

 

Foi engraçada a minha estreia aqui, no Expresso online. Faz hoje um ano. O carro não pegou nesse dia, tive que pegar um táxi para chegar, na hora combinada, à sede da Impresa. O primeiro post publicado em vez de sair cedo, como inicialmente previra, saiu ao meio dia em ponto. Regresso depois ao local do carro, um café onde o tinha deixado ficar. O reboque veio e tive que pagar uma pipa de massa pelo arranjo. Pensei: isto promete!

25 de Março de 2014, um dia igual aos outros, mas novo. Branco no branco. Porque o preto é ilusão. Um ano de "Luz e Lata". 365 dias de "vale a pena se alma não é pequena". Como não sei o tamanho da minha, faço memória de um "sim" que fez e faz História. A Igreja que frequento celebra hoje a Festa da Anunciação do Anjo a Maria. Lembra ao mostrar no modo de viver daquela rapariga, para que serve afinal a vida. E faz a prova - e leva a provar - que o "impossível", naquilo que significa, é apenas uma palavra e uma realidade da qual desconhecemos os contornos.

Vivemos na base do que consideramos serem possibilidades. E fazemo-lo por razões que conhecemos e desconhecemos. Invocando Deus, diz um texto do livro mais lido do mundo: ao olhar o universo e tudo que ele contem, o que é o homem para que Vos lembreis dele? (Salmo 8). Paul Claudel, que aqui referi, di-lo de outra forma: "para que serve vida se não for para ser dada?" (no Anúncio a Maria).

25 de Março de 2013 a hoje, 25 de Março de 2014, foi um tempo em que atravessei o útil e o inútil. Postei e des-postei. Na certeza de que nada é possível sem o impossível, o de uma Luz que sei e não sei. Um tempo em que certezas foram avesso de dúvidas e vice-versa. Um tempo em que o "tactear" ocupou mais espaço do que o do tiro no alvo. Parece um balanço, e se calhar é. E serve para dizer que a Lata morre solteira, e que a Luz é o horizonte sempre presente a conquistar em liberdade.

Ela tinha 15 anos e esperava desde pequena um Gozo que lhe matasse a sede toda. No imprevisto de uma impossibilidade pressentida, a sua barriga começou a oferecer um Pão menino. José, seu noivo, quis sair de cena. Não porque não confiasse na noiva, mas porque achou não ter pinta suficiente para tal mistério. O Verbo a fazer-se carne; ele, um simples carpinteiro sem pregos nem martelo à altura. Mas o Anjo foi mais teimoso. Era meio-dia. Ela disse que sim, e José não soube dizer que não, apesar de se sentir indigno para tal aventura.

No dizer de Elliot: nesse dado momento do tempo, o tempo aconteceu. Até ao osso, digo eu. E comemoro hoje esse "sim" que me con-voca a liberdade. Olhar essa "cena" é experimentar a impotência de nada perceber, a não ser que é verdade. É verdade porque me corresponde, embora nem sempre comigo coincida. "Caçador" de mim é o que me experimento. Não mando na vida. Não a faço, simplesmente a aceito e a vou criando à minha maneira. Ela, a vida, amou-me primeiro, numa anunciação que me fez ser empurrada do ventre da minha mãe. Chorei como todos os bébés. Não sei onde me leva este anúncio, mas é com ele que me entendo e é com ele que nunca mais chorei da mesma maneira. Não nado em dinheiro, mas até gostei de ter pago aquela pipa de massa que tive que pagar há um ano. E mais foi, porque quando os homens das garagens vêem que é mulher, acham que somos umas nabas, e dizem que o problema do meu carro é muito grave. Eu deixei que ganhassem. Não são eles, nem o Expresso, que me pagam. É o olho da "rua".