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Expresso

A CGD precisa de si

"Nunca o país precisou tanto de um banco público como nos dias em que vivemos".

A frase é do primeiro-ministro: proferida a propósito do novo aumento de capital (o terceiro este ano) que o Estado irá fazer na Caixa Geral de Depósitos.

A frase é curiosa: revela uma necessidade de colocar o ónus da injecção de mil milhões na CGD em cima do mau estado da economia.

A frase é estranha: coloca Portugal refém de uma instituição financeira, ou uma instituição financeira com um papel para o qual não foi destinado, o de salvar o país.

A frase é falsa. Vejamos:

A Caixa Geral de Depósitos, na altura dirigida por Carlos Santos Ferreira, envolveu-se directamente na guerra pelo poder dentro do BCP. Quer ao reforçar a sua posição como accionista, quer ao apoiar financeiramente empresários (como Joe Berardo). As perdas destes investimentos são enormes! Carlos Santos Ferreira é actualmente presidente do BCP.

A Caixa Geral de Depósitos, foi obrigada a absorver o BPN através de um processo de nacionalização controverso tendo injectado naquele banco mais de mil milhões de euros em poucos meses.

A Caixa Geral de Depósitos sofre do mesmo mal de todos os bancos. Possui uma enorme dificuldade em se financiar no mercado internacional e face a todos as (más?) decisões (políticas?) necessita como nunca deste Governo

Por isso a frase de Sócrates deveria ter sido "Nunca o banco público precisou tanto do país como nos dias em que vivemos."!