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Os 10 mandamentos da selecção de fundos

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Nuno Alexandre Silva (www.expresso.pt)

Para os crentes na Bíblia, Deus entregou a Moisés duas tábuas de pedra com os dez mandamentos que deveriam reger a vida dos cristãos. Para os crentes nos mercados financeiros que procuram um caminho nos fundos de investimento as "tábuas de lei" fazem-se de critérios na selecção das aplicações certas para o investidor certo.

Com uma oferta de mais de 2000 fundos comercializados em Portugal, para os aspirantes a seguidores destes produtos financeiros não é fácil distinguir o "bem", os fundos que se ajustam ao seu perfil, do "mal", os fundos que destroem as suas poupanças. Para os seguidores dos fundos de investimento alguns "pecados" devem ser evitados.

Seguir um fundo cegamente, aplicar dinheiro em fundos de fundos que suportam duplamente comissões de gestão, não olhar aos custos em que se incorre na entrada e saída num fundo e não planear bem as suas aplicações pode conduzir a algumas surpresas desagradáveis. Por exemplo, em 2008, o fundo "estreante" Fortis OBAM Equity foi o mais rentável entre a classe de acções de todo o mundo comercializada em Portugal, mas não foram precisos mais de 12 meses para, no ano seguinte, o outrora campeão descer vertiginosamente ao último lugar dos retornos entre os seus pares. É por isso que a história, embora não seja o espelho do futuro, ajude a abrir as águas do mar de fundos que leva no seu caudal mais de 62 mil milhões de euros aplicados pelos investidores, segundo os números de Março da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP) para entidades que geriam quase 99% do total do capital sob gestão em Dezembro de 2009.

Devido ao risco dos activos, os investidores devem escolher fundos de acordo com o seu perfil de risco e prazo de investimento.

Devido ao risco dos activos, os investidores devem escolher fundos de acordo com o seu perfil de risco e prazo de investimento.

Saber escolher

Para os especialistas dos maiores bancos portugueses a comercializar fundos de investimento em Portugal, também há "mandamentos" que devem ser assumidos por quem se quer converter a uma indústria que tenta guiar o dinheiro alheio por bons caminhos. Diogo Serras Lopes, director de investimentos do Banco Best, indica dez critérios que devem reger a entrada de qualquer subscritor em fundos de investimento.

Além do desempenho passado, da relação risco-retorno e da sensibilidade ao comportamento do mercado, o especialista reforça os aspectos qualitativos a analisar: o desempenho da equipa de gestão, a consistência do gestor do fundo, o know-how, a informação sobre a sociedade gestora, o processo de decisão mais focado na macroeconomia ou mais virado para empresas, bem como a composição do fundo e as suas características. Serras Lopes lembra o caminho para evitar alguns erros. "Por exemplo, não seleccionar temas que desconhece, nem investimentos com um risco esperado superior àquele que está disposto a incorrer". E ilustra alguns critérios: "maior retorno com menor risco será preferido e maior performance face ao benchmark e face à taxa de juro sem risco também será preferido".

Gonçalo Gomes, director de marketing do ActivoBank, organiza em quatro partes as regras importantes para os investidores em fundos: definir objectivos, apontando para "quanto queremos ganhar" já que, segundo refere, o retorno anual no longo prazo ronda os 10% no mercado accionista e é inferior a 5% nas aplicações de menor risco, perceber a tolerância ao risco, apostando abaixo do "limite de dor" do investidor, definir a alocação de activos diversificando, a "mais importante decisão", segundo o responsável, já que a alocação é responsável por 90% da valorização a longo prazo de uma carteira, e seleccionar os investimentos, com base "na política de investimento, na antiguidade e dimensão do fundo, na antiguidade do gestor do fundo, a consistência e a relação rendibilidade-risco".

Os conselhos de Rui Broega, head of asset management do Banco de Investimento Global (BIG), seguem no mesmo registo dos profissionais dos outros dois "supermercados de fundos". Contudo, lembra ainda "a domiciliação onde os sub-fundos estão inseridos por forma a perceber as garantias que os investidores têm". Para o especialista esta fase do mercado deverá ser marcada por apostas em fundos de acções globais de blue-chips e em fundos de obrigações dos mercados emergentes em moeda local.

I - Não tomarás decisões sem olhar os vários passados Embora as rendibilidades históricas não sejam indicador de rendibilidade futura, a verdade é que analisar as rendibilidades a 1,3 e 5 anos deve ser um comportamento normal no processo de aquisição de um fundo de investimento para se perceber como se comporta nos vários momentos do mercado II - Terás mais global e menos local Ter, por exemplo, mais acções de grande capitalização de todo o planeta baixa o risco aos seus investimentos. Os fundos de acções globais, como o BPI Reestruturações, diversificam os investimentos por todo o planeta e os retornos saltam à vista, mais de 7% por cada um dos últimos cinco anos. III - Não entrarás num fundo sem analisar a equipa de gestão Conhecer a equipa de gestão, a sociedade gestora e o histórico dos seus profissionais é um dos conselhos dos especialistas. IV - Diversificarás por activos Mais acções para o longo prazo, mais obrigações para o médio prazo. A alocação por tipos de activos deve ser feita com base no perfil de risco do investidor. Para os mais arrojados os pesos das acções deve ser maior, para os mais nervosos, as obrigações e outra dívida deve pesar mais. Os fundos mistos fazem também este trabalho de gestão entre activos mais e menos arriscados. V - Seguirás o melhor par risco-retorno Se um fundo com risco médio tem o mesmo retorno que um fundo com risco médio baixo, optar pelo que produziu maior retorno com menos exposição a potenciais perdas é o caminho a seguir. VI - Não deixarás de analisar as carteiras Ver o que está dentro dos fundos é essencial para compreender no que está a investir. Em 2008, o BPN Conservador, que vinha batendo os concorrentes da sua classe, entrou em sérias perdas, fruto de aplicações em obrigações que viriam a comprometer o comportamento do fundo. VII - Não te meterás em temas que não conheces Um dos conselhos do investidor mais famoso do mundo, Warren Buffett, passa por investir apenas em negócios que se conseguem compreender facilmente. Evitar temas que não se domina pode ser uma boa forma de prevenir surpresas indesejadas. VIII - Terás em atenção os custos do fundo Os subscritores de fundos devem ter em conta as comissões de subscrição que suportam pela entrada no produto financeiro, as comissões de gestão e as de resgate. Só na oferta de fundos de acções nacionais, os custos totais suportados variam dos 1,291% anuais do BPI Portugal até aos 2,2934% do Espírito Santo Portugal Acções. IX - Não te negarás a produtos nacionais Porquê ir para fora se pode haver quem faça bem o trabalho cá dentro. Os fundos de acções emergentes geridos em Portugal são um bom exemplo já que os dois com melhor retorno nos últimos cinco anos, Millennium Mercados Emergentes e Espírito Santo Mercados Emergentes só são ultrapassados em rendibilidades líquidas por quatro fundos estrangeiros de entre um leque de cerca de meia centena. X - Não cobiçarás os fundos de fundos Os fundos que compõem a sua carteira de outros fundos levam o subscritor a pagar não só as comissões de gestão e depósito do fundo, mas também as mesmas comissões decorrentes dos outros fundos que detêm. Por exemplo, o Popular 75, além de imputar aos subscritores comissões de gestão e depósito de 1,35% toma ainda as despesas dos fundos em carteira, como o Popular Valor e o Popular Acções, que cobram, cada um, 1,70% de gestão e depósito.