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Fundos de investimento

Obrigações de empresas vão continuar a render

Numa altura em que o mercado accionista bate recordes de volatilidade e as obrigações de dívida pública estão sob pressão, os fundos de obrigações corporate são um refúgio de alto rendimento.

Luis Caleira Marques (www.expresso.pt)

O ano 2010 nos mercados accionistas tem sido um ano impróprio para cardíacos. Veja-se o principal índice nacional, o PSI-20. No dia 10 de Maio, registou a maior valorização de sempre mas, desde então, já encerrou 4 sessões a perder mais de 2%. O medo está instalado nas bolsas e face a este cenário, é natural que os investidores procurem refúgio em activos menos voláteis, como as obrigações. Mas, quais?

Os investidores devem preferir obrigações de empresas ou soberanas? Para Thomas Giquel, gestor do fundo Amundi Funds Euro Corporate Bond, "enquanto os investidores estão a perder confiança nas obrigações de dívida pública, os mesmos continuam confiantes em emprestar dinheiro às empresas. As grandes empresas europeias beneficiam da globalização, obtendo as suas receitas e lucros em vários países. Nos países, as receitas são obtidas todas num só lugar (o país)". Já para Xavier Baraton, director de investimentos em renda fixa do banco HSBC, "uma gestão mais conservadora das finanças públicas é positiva para o mercado europeu de obrigações soberanas. As obrigações das empresas também vão sentir uma melhoria. As empresas podem atenuar a baixa rendibilidade diminuindo o endividamento e focando os seus fluxos de caixa no pagamento da dívida em vez dos utilizarem para o pagamento de dividendos. Este mecanismo explica porque os rating das empresas europeias se têm deteriorado a uma taxa bastante baixa nos últimos três anos". De acordo com Xavier Baraton, "o sistema bancário ainda se encontra sobre pressão o que está a levar a um maior número de empresas a virarem-se para o mercado obrigacionista", o que origina "uma realocação de parte do investimento por parte dos investidores em obrigações das empresas devido à situação actual da dívida soberana". Já Thomas Giquel realça que "o mercado obrigacionista corporativo europeu é um mercado maduro. O ano passado, mais de 250 biliões de euros foram emitidos no mercado, o maior montante de sempre na Europa, apesar do ambiente volátil". Quanto a expectativas de ganhos do fundo, Xavier Baraton indica que "a yield da nossa carteira encontra-se actualmente a 4,8%. Isto dá-nos uma indicação razoável do retorno que os investidores poderão esperar a médio prazo ao investirem no nosso fundo". Já para Thomas Giquel, "nos últimos cinco anos a nossa taxa anual de retorno tem sido em média 4%", não deixando de realçar que "os picos de volatilidade trazem oportunidades, das quais os nossos clientes poderão beneficiar".

Quanto aos investimentos que o fundo tem realizado, Giquel indica que "estamos especialmente atentos aos bancos, devido à ligação directa ao risco soberano que aumenta a volatilidade. No entanto, também temos a oportunidade de investir em obrigações emitidas em euros, mas que sejam de empresas de outros países, reduzindo o risco de exposição à Europa mas sem correr risco cambial".

Na prática, dada a actual conjuntura económica e financeira, os fundos de obrigações corporate apresentam uma relação risco/rendibilidade à qual os investidores não devem ficar alheios, seja para ganhar mais que as tradicionais aplicações de baixo risco ou como refúgio do mercado accionista. Eis alguns fundos aos quais deve estar atento.

 

Oportunidades na dívida empresarial

Fonte Bloomberg. Rendibilidades anualizadas em euros líquidas de impostos. 25 de Maio de 2010.