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Fundos de investimento

Meta a foice na seara dos fundos

Os analistas indicam que esta pode ser a altura certa para investir em produtos agrícolas. Alguns fundos de investimento fazem o trabalho de pisar a terra dos mercados financeiros à procura de ganhos. Clique para visitar o canal Dinheiro

Jorge Pires (www.expresso.pt)

No final do ano passado, alguns analistas defenderam a ideia, na Bloomberg, de que as matérias-primas iriam render mais que as acções europeias, durante este ano. No entanto, desde do início de 2010, o S&P 500 já cresceu 18,27% (em euros), batendo o índice que agrega 24 matérias-primas mundiais, o S&P GSCI Commodity, que não foi além de ganhos de 4,75%. Nem as subidas de mais de 47% do preço da madeira nem o encarecimento em mais de 35% da platina e 30% do ouro levaram o comportamento do índice que junta globalmente as commodities a conseguir superar os maus retornos do açúcar, que cai mais de 38% desde o início do ano, depois das rápidas subidas de 2009.

Agora, segundo os analistas do BPI, "o investimento em commodities poderá mostrar-se menos atractivo", mas há algumas excepções. Numa nota aos investidores de 10 de Maio, o banco recomenda: "nos metais base e nos produtos agrícolas, o 'compre já, antes que encareça' poderá ser uma prática acertada".

Apesar de os últimos anos terem sido marcados pelo forte crescimento do preço dos metais preciosos, como a prata e o ouro, ambos com subidas superiores a 170% nos últimos cinco anos, o banco acredita agora que os produtos da agricultura estão apetecíveis aos preços actuais. Mesmo depois de bens como o milho, o açúcar, que está agora a perder o seu "doce" para os investidores, o trigo e a soja terem crescido mais de 50% entre Maio de 2005 e o mesmo mês de 2010.

Também João Cantiga Esteves, professor do ISEG, acredita num futuro positivo para as matérias-primas, sobretudo à soja. "A soja é dos produtos que mais beneficia do efeito da utilização crescente dos biocombustíveis (...) e a médio prazo irá manter-se uma pressão significativa do lado da procura, com a oferta a reagir mais lentamente, devendo os preços reflectir essa tendência de subida", aponta o académico.

Os analistas ouvidos pela agência Bloomberg também continuam a acreditar nas matérias-primas agrícolas. Entre os preços apontados pelas casas de investimento mundiais, o preço do milho poderá crescer cerca de 37% em 2011, enquanto o trigo e a soja podem apresentar ganhos de 31% e 17%, feitas as contas às previsões médias dos maiores intermediários financeiros.

Matérias-primas para diversificar

Investir na agricultura requer ao investidor assumir um elevado risco, devido à complexidade de factores que influenciam os preços de matérias-primas que vão desde sumo de laranja a café e que recomendam prudência e um peso reduzido numa carteira. No entanto, o papel das matérias-primas pode ser importante para os investidores. Cantiga Esteves indica que "está demonstrado que as commodities são um excelente diversificador para uma carteira de investimento composta por produtos tradicionais como acções e obrigações, devido à baixa correlação que aquelas apresentam com estas". Exemplo deste contrapeso, é a subida do ouro acima dos 1240 dólares na semana passada, quando os mercados accionistas eram fustigados internacionalmente.

Para quem procura soluções de investimento em matérias-primas agrícolas, alguns fundos de investimento fazem a mistura dos recursos resultantes da lavoura, seja através de acções, de obrigações, de títulos de dívida e outros mecanismos financeiros, como os derivados. Há que ter em conta que os fundos de investimento são recomendados para investidores que sejam capazes de imobilizar o seu dinheiro e assumir riscos por um prazo que não deve ser inferior a três anos. Porquê? Muitos dos fundos de investimento comercializados em Portugal dão a resposta. Por exemplo, o Parvest Agriculture, que investe nos bens da terra através de derivados de commodities, perdeu 13% nos últimos 12 meses e 21% em cada um dos últimos dois anos, quedas que não são suportáveis para muitos investidores com perfis mais virados para menos risco.

Os melhores retornos para quem quer meter a foice nos investimentos agrícolas têm vindo do DWS Invest Global Agribusiness, que investe em acções mundiais ligadas à agricultura como a canadiana Viterra e a Monsanto, e o Amundi Funds Global Agriculture, que aposta em acções de empresas como a Bunge, a Archer Daniels Midland e a Syngenta, a suíça conhecida pela agricultura ligada aos produtos trasgénicos. A tónica está, no entanto, na perda de valor de todas as carteiras ligadas à agricultura, perdas médias que andam entre os 5% e os 21% por ano, nos últimos 24 meses, quando as acções mundiais, medidas pelo índice Bloomberg World, caíam 1,77% por ano.