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Fundos de investimento

Fundos de pensões estão negativos em 2010

Em Maio, os fundos de pensões não resistiram às incertezas económicas e às medidas de contenção. Um tombo de 1,2% arrasta a rendibilidade dos 5 meses para terreno negativo.

Ana Pimentel (www.expresso.pt)

Após quatro meses de rendibilidade positiva em 2010, os fundos de pensões portugueses caem, agora, 0,2% desde o início do ano. Em Abril, já tinham descido 0,2%, mas em Maio a queda foi maior: - 1,2%.

As acções foram os activos mais penalizadores para os fundos de pensões e os que mais deslizaram: 6,4% só no mês de Maio e 3,3% desde que o ano começou. Destas, as acções europeias caíram 5,6% enquanto que as outras acções estrangeiras desceram 8,2%. Na verdade, desde que 2010 começou, as acções do Velho Continente já caíram 3,9%, sendo que as restantes desceram 2,1%.

A classe das obrigações continua com rendibilidade positiva. Desde o início do ano, a dívida rendeu 2,4%, sendo que em Maio subiu 0,4%. As obrigações de taxa fixa euro renderam 0,9%, enquanto que as de taxa variável caíram 0,7%, no mês passado. Em 2010, as primeiras já somam rendibilidades de 3,3% e as segundas de 0,4%. Segundo a consultora Mercer, as performances das acções e da taxa variável são responsáveis pelo fraco desempenho dos fundos de pensões portugueses.

Crise na dívida

"Para a performance negativa, contribuíram o cenário de incerteza e aversão ao risco com a crise na dívida de alguns países europeus e o receio de que a recuperação económica abrande com medidas de contenção na zona Euro", explica a consultora, em comunicado. Contudo, num cenário de aversão ao risco, o mercado de taxa fixa euro registou um aumento na procura por parte dos investidores, subindo os preços e registando uma performance agregada de 0,9%. As obrigações de taxa fixa são a maior componente de investimento das carteiras dos fundos de pensões portugueses.

"A yield das obrigações de dívida privada com qualidade de crédito AA e maturidade superior a 10 anos, índice de referência para as taxas de desconto dos fundos de pensões, era de 4,34% no final do mês", diz a Mercer.

Os fundos de pensões são patrimónios autónomos, cujo objectivo é financiar planos de reforma. Estes podem ser abertos ou fechados, sendo que os primeiros permitem a adesão individual como os Planos Poupança Reforma/educação e os Planos Poupança Acções, quando constituídos sob a forma de fundos de pensões. Os fechados dizem respeito apenas a um associado ou quando se verifica que existe um elo de natureza empresarial, associativo, profissional ou social.

O Espírito Santo Multireforma é o fundo de pensões aberto gerido em Portugal mais lucrativo dos últimos 5 anos, com 3,8% por cada ano investido, menos 0,31% do que o que havia sido registado em Abril. Nos últimos 12 meses, o F.P. Aberto Multireforma Acções subiu 22,93%, com mais de 35% de investimento nesta classe de activos. O Espírito Santo Multireforma Plus também cresceu 12,21% no último ano, sendo que em Abril, registava uma rendibilidade anualizada de 16,25%.