Siga-nos

Perfil

Expresso

Fundos de investimento

Compreender a bula dos fundos

O prospecto simplificado de um fundo de investimento é um documento de leitura obrigatória para qualquer investidor. Caso contrário, arrisca-se a ser apanhado por algum efeito secundário

Joaquim Madrinha (www.expresso.pt)

O prospecto simplificado de um fundo é igual à bula que vem dentro da caixa de um qualquer medicamento. Antes de "tomar", o investidor deve ler atentamente o prospecto para não ser apanhado desprevenido pelos efeitos secundários. Eis alguns itens que irá encontrar nos prospectos simplificados dos fundos. Saiba como interpretá-los.

A categoria do fundo

O tipo do fundo revela a classe de activos em que este investe e qual a sua incidência geográfica. Um fundo pode ser de acções, obrigações, misto (ter ambos activos) ou imobiliário. Pode ser aberto - efectuam-se subscrições e resgates a todo o momento - ou fechado - só permite subscrições e resgates em períodos concretos. Embora básicas, estas diferenças vão influenciar, não só a política de investimento e os riscos do fundo como também o perfil do investidor que o deve subscrever. É quase como diferenciar se vai administrar um simples analgésico ao seu dinheiro ou um potente antibiótico.

Política de investimento

Neste item, a sociedade gestora revela as regras de gestão do fundo. Se for um fundo de acções, é aqui que poderá saber se o gestor pretende investir em títulos de empresas pequenas - que estão na fase inicial de crescimento -, ou em empresas grandes, já implantadas no mercado e, por isso, menos susceptíveis às sazonais gripes económicas. Caso seja um fundo de obrigações, é aqui revelado o tipo de obrigações que o gestor pode comprar, seja por emitente - Estados ou empresas - ou por rating (risco).

É também neste item que são explicados os riscos da política geográfica do fundo e como o gestor se protege deles. Um fundo de acções europeias pode investir somente em empresas da Zona Euro, o que não implica risco cambial, mas também pode investir em empresas do Reino Unido ou de países da Europa de Leste e, nestes casos, convém saber se há política de cobertura desse risco.

Política de distribuição de rendimentos

Os fundos podem distribuir rendimentos ou capitalizar os ganhos. Os primeiros são mais adequados, por exemplo, para quem esteja reformado e pretenda obter um rendimento sazonal extra, enquanto os fundos de capitalização são melhores para poupanças a longo prazo, pois beneficiam do efeito capitalização dos ganhos.

Risco associado

O riscos a que estão sujeitos os fundos de investimento são como os efeitos secundários dos medicamentos. O objectivo é capitalizar as poupanças dos subscritores, mas como o preço dos activos é volátil, podem surgir "reacções" negativas no curto prazo. Esta volatilidade é maior nos fundos de acções que nos fundos de obrigações e é quase nula nos fundos imobiliários e de tesouraria.

Perfil do investidor

Neste item do prospecto, a sociedade gestora diz qual o perfil do investidor adequado ao fundo e recomenda um prazo mínimo de investimento. Respeitar a recomendação deste ponto pode ser a diferença entre dormir bem, ou mal. Por exemplo, tal como há pessoas alérgicas à penicilina, também há quem seja alérgico aos fundos de acções.

Rendibilidade e risco histórico

Todos os prospectos têm um resumo da rendibilidade e do risco que o fundo alcançou em anos anteriores. É uma informação útil para o investidor porque diz como o fundo reagiu a acontecimentos passados que afectaram os seus mercados alvo. No entanto, não convém esquecer que rendibilidades passadas não são garantia de resultados futuros.

Regime fiscal

Aqui, ao contrário do que acontece nos medicamentos. O Estado não comparticipa, é comparticipado. Nos fundos mobiliários nacionais, a tributação é realizada na esfera interna do fundo. Ou seja, as rendibilidades apresentadas e o valor da unidade de participação já é líquido de impostos, logo, quando o dinheiro chega à conta já não há impostos a pagar. Nos fundos de investimento estrangeiros, a tributação é efectuada à saída sob a forma de retenção na fonte de 20% sobre as mais-valias conseguidas. Logo, à rendibilidade conseguida ou publicitada tem de se descontar o imposto. Se tiver de optar entre um fundo nacional e um estrangeiro, escolha o nacional. Apesar de ter sido aprovada nova legislação sobre a tributação das mais-valias, somente os fundos mistos é que vão sofrer. Os restantes continuarão com o regime anterior, que permite ao fundo registar taxas de imposto inferiores a 10%.

Estrutura de comissões

As comissões a pagar para participar num fundo podem alterar o retorno do mesmo. Evite-as sempre que puder. Subscrição A comissão de subscrição é uma espécie de bilhete de entrada. Felizmente, não é frequente nos fundos estrangeiros e está cada vez mais em desuso por parte dos fundos nacionais, mas é comum nos fundos imobiliários, onde é capaz de comer o ganho conseguido no primeiro ano do investimento. Gestão e depósito A comissão de gestão é o preço a pagar ao gestor do fundo para que ele cuide da saúde das suas poupanças e a comissão de depósito é o preço a pagar ao banco pelo "estacionamento" do seu dinheiro no fundo em causa. Ambas são incontornáveis, mas como estão implícitas no preço da unidade de participação, não se sentem. Resgate É a mais pejorativa para subscritor uma vez que incide sobre o capital investido e a rendibilidade alcançada até à data do resgate. É uma comissão frequente nos fundos de investimento nacionais, embora tenda a diminuir à medida que o período de investimento aumenta. Há fundos imobiliários que têm sempre comissão de resgate, independentemente do prazo do investimento. Pelo contrário, nos fundos estrangeiros, não há comissões de resgate.