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Fundos de investimento

África, mãe de lucros

Saiba como investir no continente que está a passar ao lado da crise da dívida europeia, e que registará um crescimento agregado a rondar os 5% em 2011, segundo o FMI.

Jorge Pires (www.expresso.pt)

O mercado africano distingue-se dos desenvolvidos pelo elevado potencial de crescimento, mas continua a ser de difícil acesso para os investidores. De acordo com as mais recentes previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), o continente africano deverá registar o segundo maior crescimento do PIB na esfera mundial, 4,7% este ano e mais de 5% no próximo ano, sendo que os mercados africanos mostraram alguma resistência à crise nos últimos tempos. Para Baldwin Berges, director da Silk Invest, a resistência pode ser resultado da circunstância de "os mercados africanos terem, no longo prazo, uma baixa correlação com os mercados mundiais, devido ao facto de os seus fundamentos económicos serem diferentes." O exemplo da bolsa nigeriana, que cresceu 50%, em 2010, quando a maior parte dos mercados internacionais apresentam quedas, é expoente máximo desta ausência de ligação, mas as bolsas do Gana e do Quénia também seguem logo atrás, com crescimentos acima dos 40% e os mercados do Norte de África (Egipto e Marrocos) subiram menos, na ordem dos 20%.

Oportunidades africanas

Investir no continente berço da humanidade permite aos investidores entrarem num mercado próspero em recursos naturais, que atrai algumas das maiores economias internacionais, como é o caso da China e da Índia. A China, por exemplo, aumentou em mais de 100% as suas importações do continente africano apenas no primeiro trimestre de 2010.

Desmistificando a África bolsista, o destaque vai para a África do Sul, a bolsa mais calejada de todo o continente. A praça financeira de Joanesburgo tem beneficiado da entrada de dinheiro proveniente de exportações de recursos naturais, para assim puder desenvolver outros sectores do país, tais como o sistema financeiro ou ainda melhorando algumas das necessidades básicas da população. Para Ricardo Santos, gestor do fundo de investimento Espírito Santo África da ESAF, "existe um conjunto de aspectos estruturais que transformam África numa enorme oportunidade de investimento no médio prazo. O demográfico é muito favorável a uma expansão da procura interna. No económico, a riqueza do subsolo vai conferir solidez à importância de África no mundo".

A criação da bolsa de Luanda que, ao que tudo indica, ainda ocorrerá este ano, traz grande expectativa, na medida em que é das economias mais promissoras da região africana. "O mercado angolano poderá atingir uma capitalização bolsista de 26 mil milhões de euros", afirmou Anthony Lopes Pinto, presidente da Imara Angola à agência Bloomberg. A acontecer, será a terceira maior bolsa africana, apenas superada pelas bolsas da África do Sul (650 mil milhões de euros) e da Nigéria (31 mil milhões de euros). Recentemente, as três agências de rating atribuíram classificações para o país liderado por José Eduardo dos Santos. A Standard & Poor's e a Fitch apostaram no B+ para o longo prazo e a Moody's ficou-se por B1.

Os perigos da Savana Africana

No entanto, o risco associado aos investimentos no continente africano é elevado, nomeadamente devido á instabilidade política, que tem vindo a melhorar, e à corrupção existente, normalmente revelada por organizações internacionais. Para Ricardo Santos "a estabilidade política melhorou na última década e tem permitido potenciar investimentos e criar emprego". Para Baldwin Berges, "a maioria dos riscos pode ser diversificada à distância", raciocínio idêntico ao do gestor da ESAF que complementa ao afirmar que "só uma carteira de grande diversificação geográfica consegue diminuir o risco especifico de investir nestes mercados".

Para quem quer investir no continente dos safaris, os fundos de investimento existentes no nosso país são uma boa forma de entrar em África. Mas, cuidado com as aventuras na "natureza financeira" africana. Se não suporta grande risco e pretende investimentos com prazos curtos, esqueça África já que os fundos de investimento representados em Portugal comportam muita volatilidade. Logo, ao escolher um fundo, deve-se dar preferência a fundos com rendibilidades consistentes em largos períodos de tempo. No entanto, dos fundos disponiveis em Portugal para subscrição, apenas alguns existem há pelo menos dois anos.

Seguindo esta perspectiva, o fundo que tem sido mais consistente é o da gestora JP Morgan, o JPMorgan Africa Equity. Este fundo, gerido por Richard Titherington , apresenta a melhor rendibilidade a dois anos e no último ano. Tem na sua carteira uma grande percentagem de empresas sul-africanas e nigerianas, com destaque para o sector financeiro (sete das dez maiores posições), sendo as outras posições ocupadas por uma companhia química, uma de telecomunicações e uma outra de serviços.

No que diz respeito aos fundos geridos por sociedades nacionais, o fundo Especial de Investimento da ESAF lidera. O Espírito Santo África gerido por Ricardo Santos, conseguiu 33% nos últimos 12 meses, recuperando assim o valor perdido no ano anterior. O gestor justifica a perda inicial do fundo com a "forte crise que tomou proporções globais e que afectou de forma dramática todos os mercados. No entanto, foi um periodo que permitiu ganhar ainda mais conhecimento na dinâmica destas economias". Neste momento, as maiores posições do fundo encontram-se nos sectores financeiros e de serviços, sectores em expansão no mercado africano.