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Um comboio fantasma chamado SATU

O SATU, a jóia da coroa de Isalitino Morais (o autarca inspirou-se no monocarril de Sidney) é contestada por moradores de Oeiras e passageiros. A Teixeira Duarte garante que entre 2006 e 2007 houve mais 19% de utentes.

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O SATU (Sistema Automático de Transporte Urbano) de Oeiras funciona em pleno há três anos mas é contestado pelos moradores do bairro da Tapada (onde se situa uma das três estações do monocarril). As pessoas queixam-se do ruído dos cabos de tracção das carruagens e de terem perdido a vista privilegiada sobre o rio Tejo. "O caso está em Tribunal porque não há acordo entre a Câmara de Oeiras e os 60 inquilinos queixosos", declara a presidente da associação Oeiras Merece Mais.

A representante dos moradores alerta ainda para os prejuízos do projecto financiado pela autarquia e pela construtora Teixeira Duarte: "O último relatório de contas aponta para um prejuízo bruto anual de 3,2 milhões de euros, o que dá cerca de oito mil euros diários. O SATU é um sorvedouro de dinheiro", acusa.

O porta-voz da Teixeira Duarte destaca o crescimento do número de passageiros: "Em 2007 ultrapassou-se a média diária de 600 utentes. Nos primeiros 4 meses de 2008 houve um incremento de 9% relativo a igual período do ano anterior, apesar de ter havido aumento de tarifário em 1 de Abril". Ainda segundo a construtora, o trajecto actual é "sem dúvida o responsável da fraca adesão, se assim se puder chamar, uma vez que é apenas de 1,200 km". E remata: "O Sistema tem por objectivo um trajecto final de 10km que é a ligação de Paço de Arcos ao Cacém, ligando as duas linhas ferroviárias (Lisboa-Cascais / Lisboa-Sintra) e passando por dois importantes empreendimentos como o Lagoas Park o Tagus Park onde trabalham cerca de 5.000 e 11.000 pessoas, respectivamente e servindo os núcleos habitacionais de Porto Salvo e São Marcos".

O Expresso viajou durante um dia no SATU e apercebeu-se que numa viagem em hora de ponta não há mais de dez passageiros no interior da carruagem. A maioria deles contesta o alto preço dos bilhetes e espera pelo dia em que o percurso se alargue até ao Cacém.

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