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Vítimas das cheias poderão chegar às 285 mil pessoas

As inundações causadas pela chuva e pela subida das margens do rio Zambeze já levaram 29 vidas. Mas o temporal ainda não acabou e a ONU precisa de ajuda.

As chuvas que têm assolado Moçambique e parte da África Austral nos últimos dias não vão acalmar, pelo menos para já. A ONU estima em cerca de 285 mil os moçambicanos a necessitarem de ajuda humanitária. São já 29 os mortos provocados pelas cheias, sendo que ainda se prevêem fortes chuvas, o que poderá fazer com o número de vítimas mortais aumente.

Embora o caudal do rio Zambeze esteja a diminuir, fruto da redução das descargas da barragem de Cahora Bassa, a situação vai permanecer muito complicada. As muitas descargas efectuadas nos últimos dias e a chuva forte, que continua a ser prevista para o centro do país, vão fazer com que a situação se mantenha de alto risco.

Neste momento, a grande preocupação do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) é o perigo de eclosão de surtos de cólera e malária nos centros de acolhimento montados para receberem as populações que fogem às cheias. “A nossa preocupação é que a situação se deteriore nos centros de acomodação”, sublinhou Paulo Zucula, director do INGC. Em declarações à agência Lusa, o responsável disse que o número de pessoas deslocadas e recebidas pelos centros de acolhimento deve rondar as 29 mil. Só no dia de ontem foram resgatadas 386 pessoas à fúria inclemente das cheias.

Face a esta situação de calamidade o INGC disponibilizou um grupo de trabalho cuja missão específica é melhorar as condições existentes nos centros de acolhimento, nomeadamente no que toca ao fornecimento de água, saneamento e construção de infra-estruturas.

As operações de busca e salvamento, com o auxílio de helicóptero e lanchas, vão prolongar-se por “mais dois ou três dias”, garante Paulo Zucula. Os habitantes que recusarem ser resgatados serão informados que esta “é a última oportunidade” e que a partir daí estarão por sua conta e risco. 

ONU pede ajuda

Embora o Governo moçambicano tenha enviado vários contingentes militares para auxiliar nas operações de ajuda humanitária e no resgate das populações afectadas, as Nações Unidas já lançaram um apelo de emergência internacional.

O objectivo é minimizar o efeito das cheias, que estão a assolar vários países no Sul do continente africano, em especial Moçambique, duplamente martirizado pelas fortes chuvadas e posterior inundação das margens do Zambeze. “Estamos já a utilizar os stocks pré-posicionados para responder às emergências mais prementes, mas a severidade das chuvas e consequentes cheias em Moçambique vão obrigar-nos a pedir fundos adicionais”, avisou Amir Abdulla, director regional para a África Austral do Programa Alimentar Mundial (PAM).

"A ajuda tem sido marcada pela falta de fundos e as nossas maiores preocupações viram-se para Moçambique. Com a possibilidade de a situação vir a piorar nos próximos dias, vamos precisar de todo o apoio da comunidade internacional", acrescentou Abdulla.

O PAM espera lançar um pedido internacional de auxílio já esta semana onde, para além de dinheiro, vai solicitar também a utilização de helicópteros e aviões, quer para o resgate de populações em perigo, quer para o lançamento de alimentos. O pedido deverá ainda incluir o reforço das telecomunicações para ajudar na coordenação à resposta humanitária.
Os dados são alarmantes: desde Dezembro que as cheias destruíram mais de 4600 casas, 100 escolas e quatro centros de saúde, obrigando à deslocação de quase 50 mil pessoas. Segundo números avançados pela ONU, os cidadãos moçambicanos que necessitarão de ajuda nos próximos meses vão rondar as 285 mil pessoas, que depois de perderem tudo, na sequência das cheias, não terão a quem recorrer.