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Queima de haxixe começa ao fim de sete anos

A incineração da droga está a ser feita pela empresa “Cerâmica de Maputo”. O processo vai levar cerca de uma semana até ser eliminado todo o haxixe.

Depois de ser remetido a uma decisão do Tribunal Supremo de Maputo o “Caso haxixe de Inhambane”, como é conhecido, teve o desfecho desejado pelas autoridades, ao jeito de uma operação relâmpago.

O haxixe que foi encontrado de forma «acidental» ao largo da costa de Inhambane, sul de Moçambique, há cerca de sete anos e confirmou as suspeitas das autoridades de que a costa moçambicana pode ser um corredor preferencial do narcotráfico internacional atribuído a este país por organizações especializadas, como a Interpol. 

Nove cidadãos paquistaneses foram presos na altura, mas acabaram por ser libertados por falta de provas. Contudo, esta foi uma novela interminável, que acabou por provar o envolvimento de altos oficiais da polícia no desaparecimento de mais de duas toneladas da droga apreendida.

Tentação armazenada

Este é um caso que remonta a Julho de 2000, quando um naufrágio fez com que droga dissimulada em latas de café fosse dar à costa de Inhambane, tendo na altura sido recolhida pelas autoridades. O haxixe apreendido deveria ter sido destruído, mas acabou por ficar armazenado por um período de tempo que terá permitido o desaparecimento de parte da droga.

No decorrer do episódio foram julgados e condenados, em Dezembro de 2006, os nove paquistaneses e um agente da Força de Intervenção Rápida. O antigo director da Polícia de Investigação Criminal, o antigo comandante e também o antigo responsável pela área da logística da Força de Intervenção Rápida também foram condenados e encontram-se detidos em Maputo.

Estado segue queima

Esta operação está a ser supervisionada e testemunhada pelo procurador provincial da República de Inhambane, Américo Mazenga, que confirmou ao EXPRESSO que estão a ser incinerados cerca de 12.800 quilos de haxixe em Maputo.

Nos últimos anos têm-se multiplicado os avisos de que Moçambique está a tornar-se numa importante plataforma giratória de redes do narcotráfico regional e internacional. A localização e vantagens geográficas de Moçambique em relação aos restantes países da região – e a ausência de mecanismos mais rigorosos de controlo e vigilância no país – permitem que a “Pérola do Índico” se torne um corredor de transporte de estupefacientes tanto por terra, como por mar.

Mais insólito do que esperar sete anos para queimar 12 toneladas, só mesmo o facto de haver outras 40, apreendidas em 1995 em plena capital moçambicana, que se encontram ainda armazenadas à espera de destino.