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Lusofonia

"Os portugueses são os nossos grandes parceiros"

As eleições autárquicas em Cabo Verde, no domingo, 18 de Maio, envolvem mais de 2 mil candidatos a 22 câmaras municipais. Em vésperas do sufrágio, Jorge Santos, líder do MpD, o principal partido da oposição, tira uma radiografia ao país e avalia as relações com Portugal e com a UE.

Considera importante uma maior aproximação de Cabo Verde à UE? Mais de 80% das relações que Cabo Verde mantém, são com a Europa e com Portugal, em particular. Nós aderimos à região Euro e temos uma paridade fixa entre o Euro e o escudo cabo-verdiano. Por outro lado, a parceria com a UE permite o diálogo político entre Cabo Verde e os países europeus, elevando o nível da nossa democracia.

Como avalia os progressos da parceria intercontinental como garante da segurança internacional? Cabo Verde está a cooperar com a Interpol e as polícias judiciárias europeias nesta matéria. Neste momento a apreensão de droga em Cabo Verde é elevada, mas não ouso avançar números para não falhar. O tráfico humano e as células terroristas e o branqueamento de capitais exigem um esforço de consolidação das instituições de segurança e do sistema judicial no nosso país, que se situa num ponto de convergência entre grandes rotas comerciais, desde os tempos da escravatura. Cabo Verde tem de funcionar como um tampão para os tráficos com destino à Europa.

Está a acompanhar o problema do narcotráfico na Guiné-Bissau? É um estado que se diz impotente perante o nível e a sofisticação do tráfico. Para inverter esta tendência do estado falhado é preciso que as instituições funcionem. Vamos às prisões da Guiné-Bissau e não encontramos nenhum preso por narcotráfico ou por branqueamento de capitais. O sistema judicial não funciona.

Como vê a parceria entre Portugal e Cabo Verde? Os portugueses são os nossos grandes parceiros no que respeita à ajuda financeira, mas também nas áreas da educação, saúde, desporto e cultura. Neste momento, começamos a entrar numa terceira dimensão de cooperação - a empresarial. Há cada vez mais investimentos de portugueses em Cabo Verde, sobretudo nas áreas do turismo e do imobiliário.

Quais são as principais carências de Cabo Verde? A primeira grande vulnerabilidade de Cabo Verde é a sua pequenez. Temos dez ilhas, nove hospitais, portos e aeroportos em quase todas elas. A infra-estruturação tem, por este motivo, custos elevados. Mais, lidamos com condições naturais desfavoráveis: a falta de água obriga-nos a recorrer à dessalinização da água do mar.

Como acompanhou o atraso na divulgação dos resultados eleitorais no Zimbabwe? Mugabe perdeu as eleições mas não soube aceitar a sua derrota. E mesmo nesta segunda volta, que se realiza a 27 de Junho, vai tentar manipular resultados, o que poderá provocar uma guerra civil. Mugabe também solicitou o apoio dos exércitos africanos. Um homem que perde as eleições vai continuar no poder a custo das armas dos outros?

O candidato da oposição, Morgan Tsvangirai, é uma boa alternativa? Concerteza. Mugabe é um líder ultrapassado. É necessária uma mudança no Zimbabwe. O Presidente Mugabe faz parte de uma geração de políticos que devem ir para a reforma. E nós, os mais jovens, temos de promover a alternância em África, temos de denunciar as ditaduras.