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Lusofonia

Oposição planeou limpeza étnica no Quénia

A Human Rights Watch revela que o Movimento Democrático Laranja está por detrás do massacre que já fez mais de 750 mortos no Quénia.

Maria Luiza Rolim

Uma investigação da organização não-governamental Human Rights Watch divulgada esta quinta-feira indica que, após as eleições presidenciais no Quénia, o Movimento Democrático Laranja (ODM) - partido liderado pelo candidato derrotado  Raila Odinga -,  planeou uma "limpeza étnica" no país.

O objectivo seria exterminar os Kikuyus, a tribo do Presidente reeleito Mwai Kibaki. "Os líderes da oposição queniana têm razão ao reclamar a forma como decorreram as eleições no país, mas não podem usar isso como desculpa para eliminar grupos étnicos", disse hoje Georgette Gagnon, responsável pela Human Rights Watch em África.

"Há evidências de que dirigentes do ODM e líderes locais instigaram actos de violência pós-eleições, e as autoridades devem investigar e pôr fim a isso", acrescentou.  

Parlamento Pan-Africano defende novas eleições 

A Human Rights Watch, que investiga a violação dos Direitos Humanos no mundo inteiro, apela ao principal partido de oposição queniano para parar imediatamente com os ataques contra a população.

Ao mesmo tempo, defende um reforço das forças de segurança para a protecção dos cerca de 250 mil deslocados, e das comunidades Kikuyu.

Na passada terça-feira, a União Africana condenou as "violações graves dos Direitos Humanos cometidos ao longo das últimas semanas " no Quénia, e pede para ser instaurado "um inquérito aprofundado de forma a identificar os responsáveis e os levar perante a justiça".

Esta quinta-feira, o Parlamento Pan-Africano  também divulgou um relatório, dos observadores enviados às eleições presidenciais quenianas. O documento afirma que o acto eleitoral não decorreu conforme os valores democráticos, e conclui que a repetição das eleições seria a "solução mais pragmática e ideal".  

O ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, vai mediar hoje a primeira reunião do Presidente queniano com o líder da oposição, Raiga Odinga. Trata-se da primeira tentativa de resolver o impasse desde que falharam todas as tentativas de mediação até agora.