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Jornalista angolano preso por desobediência

Polícia acusou Armando Chicoca de incitamento à violência. Responsável do Conselho Nacional da Comunicação Social fala em atentado à liberdade de expressão  

Gustavo Costa, em Luanda

"Um aproveitamento imoral". Foi com essa expressão que o arcebispo do Lubango, D. Zacarias Kamuenho, desvalorizou a prisão do correspondente da Rádio Eclésia no Namibe, Armando Chicoca, acusado pelas autoridades locais de desobediência. O prelado rejeitou mesmo qualquer associação daquele acto a uma pretensa perseguição à Igreja Católica.

Kamuenho proferiu estas declarações depois de ter sido convidado pelo governador local, Boavida Neto, a visitar os mercados locais, local onde há dias ocorreu uma onda de protestos de centenas de vendedoras ambulantes. Nessa altura, Chicota foi acusado pela polícia de incitamento à violência, mas alguns observadores negam esta versão. O correspondente da Rádio Eclésia, crítico em relação à governação de Boavida Neto, terá sido impedido de fazer a cobertura daquela manifestação.

O governador alega que o jornalista agiu daquela forma, depois de ter visto rejeitada a sua candidatura a administrador do mercado 5 de Abril. O facto é que Chicoca, que é uma "persona non grata" para as autoridades locais, acabou por ser condenado, a 30 dias de prisão efectiva, por desobediência e não por incitamento à violência.

"Estamos perante um choque entre a liberdade de imprensa e o papel da polícia na supervisão dessa liberdade" - disse o jornalista, Reginaldo Silva, membro do  Conselho Nacional da Comunicação Social.