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Lusofonia

Corpos das italianas assassinadas regressam hoje a casa

Os dois cabo-verdianos que assassinaram as duas italianas já confessaram os crimes. Os corpos seguem hoje para uma Itália em choque e o caso pode abalar as relações entre os dois países.

Os corpos das duas italianas que na madrugada de sexta-feira foram apedrejadas e espancadas até à morte, tendo uma delas sido ainda enterrada viva, regressam hoje a casa. O caso deixou a Itália em choque e pode abalar as relações entre os dois países, daí a insistência do Governo de Cabo Verde em lamentar profundamente o sucedido, realçando o carácter “atípico” de toda a situação.

Entretanto, foram afastadas as suspeitas de que as vítimas também teriam sido violadas, pois embora os médicos responsáveis pelas autópsias tenham encontrado vestígios de sémen em ambas as mulheres, admitem que isso seja resultado de relações anteriores. As autópsias revelaram ainda terra nos pulmões de uma das raparigas, o que indica que foi enterrada ainda com vida.

Tudo indica que os corpos de Dália Saiani, de 33 anos e Giorgia Busato, de 28, devam ser transportados ainda hoje para Itália, sendo só necessário ultimar algumas burocracias, como confirmou o cônsul italiano em Cabo Verde, Luigi Zirpoli.

A viagem será feita num avião da TAP, que sairá da Ilha do Sal em direcção a Lisboa e daí para Itália. Agnese de 17 anos, a única sobrevivente do grupo, está ainda debaixo de vigilância médica e regressará a Itália assim que as investigações policiais terminarem.

Libertado um dos suspeitos

Segundo Agnese, o combinado era irem jantar todos juntos, mas a noite acabou num bosque na zona recôndita de Fontona.“Quando chegámos a Fontona a Dália e a Giorgia foram arrastadas para fora do carro e imobilizadas com um spray e logo de seguida espancadas, apedrejadas até à morte e enterradas”, recorda a jovem. Agnese, que assistiu a tudo dentro do carro, foi a última a ser espancada, valendo-lhe o sangue frio: “fingi que estava morta e eles foram-se embora”.

Dos três homens suspeitos de terem cometido o crime, um deles foi, entretanto, libertado, com termo de identidade e residência. A decisão do tribunal surge após os dois principais arguidos terem confessado que o terceiro suspeito não participou nos crimes, só esteve no local depois, tendo mesmo recusado ajudar a enterrar as vítimas. No entanto, ficou provado que soube com antecedência do plano, o que o torna cúmplice do crime.

Condolências e receios

O executivo cabo-verdiano já enviou as condolências ao Governo italiano pela morte das duas italianas na Ilha do Sal. As palavras de Domingos Mascarenhas, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros foram de “profunda consternação” e que está solidário com a “tristeza e a dor” dos italianos residentes no país e dos familiares das vítimas. "Nenhum acto criminoso, por mais vis que sejam o seu móbil e as circunstâncias do seu cometimento, poderá pôr em causa a amizade, o respeito e o apreço de que gozam os cabo-verdianos na Itália e os italianos em Cabo Verde".

Domingos Mascarenhas realçou o carácter atípico do crime, pois tudo indica ter sido um acto passional, o que afasta o sucedido de “uma situação sistemática”. O secretário de Estado garantiu ainda estar a ser prestada toda a colaboração às autoridades italianas “na resolução de todas as questões que decorrem deste triste caso”.

Quanto a uma eventual quebra na procura do país por parte de turistas europeus, Domingos Mascarenhas não esconde alguma apreensão, mas está optimista. “Admitimos que numa primeira fase haja alguns receios, mas reafirmamos que Cabo Verde continua a ser um país seguro, esperamos que isto não traga prejuízos”.

O primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria das Neves, já enviou também uma mensagem de condolências ao presidente do Conselho de Ministros de Itália, Romano Prodi, e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Massimo D’Alema.

Segurança no país é prioritária

O Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, que fez ontem escala em Lisboa em direcção a Cannes, declarou aos jornalistas, após um encontro com o Presidente português, Cavaco Silva, que “lamenta profundamente” este crime de “contornos confusos”, sublinhando que as condições em que aconteceu são muito particulares, pois tratavam-se de pessoas "que tinham o hábito de visitar Cabo Verde e tinham as suas relações no país".

 Pedro Pires realçou ainda que "a segurança é uma condição prévia para garantir desenvolvimento", assegurando que "as autoridades vão continuar a trabalhar para garantir a máxima segurança para todos os que visitam Cabo Verde". Contudo, o Chefe de Estado cabo-verdiano reconhece que um crime desta gravidade terá sempre um impacto negativo no turismo do arquipélago.