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Começa hoje o ano lectivo em Angola

A cerimónia oficial conta com a presença do Ministro da Educação, António Burity da Silva, mas as aulas “a sério” só começam na segunda-feira.

Num dia de grandes descobertas para os alunos são os números que mais interessam aos governantes angolanos. Pinda Simão, vice-ministro da Educação para o ensino geral, aponta para 500 mil novos alunos que devem entrar este ano para o sistema nacional de ensino e para mais de cinco milhões no total. "Temos uma previsão de mais de cinco milhões de alunos a estudarem este ano no país, embora a realidade da pressão escolar aponte para cifras superiores. "Só na província central do Bié o número de alunos ronda o milhão.

O número de professores que irão leccionar no ensino público não foi confirmado pelo vice-ministro, mas adiantou à Lusa que poderão ser inscritos 21 mil novos docentes. "Em princípio, contamos integrar 21 mil professores, mas tudo dependerá do seu enquadramento pelo Ministério das Finanças que tem a função de os inserir no quadro de pessoal a ser remunerado para que não falte motivação para ensinar."

Porém, mesmo que a entrada destes docentes se confirme, o drama das crianças não colocadas rodará a fasquia das centenas de milhar. Um problema grave que Pinda Simão vê com cada vez mais optimismo. "Não vai faltar a existência de alunos fora do sistema de ensino como nos anos anteriores. Porém, estamos a trabalhar no sentido de cada ano que passa ir diminuindo esse quadro, com a construção de mais escolas e o enquadramento de mais professores."

Estatísticas de 2000

Como nem tudo é mau, o membro do executivo aponta o ensino primário como o que terá menos alunos fora do sistema de ensino. A razão, aparentemente, prende-se ao voluntarismo da comunidade local – que segundo Simão – constrói as escolas, deixando para o Ministério da Educação, “apenas a colocação do professor.”

Outro problema com que o executivo de Luanda tem de lidar, é a grande escassez de estatísticas. As últimas são de 2000 e o realismo da situação angolana é evidente: 25 % da população em idade escolar (dos 5 aos 18 anos) nunca frequentou a escola. A taxa de escolarização do ensino primário é de 56%, descendo abruptamente para os 17% entre o quinto e o nono ano. Um terço dos alunos abandona a escola antes de concluir o ensino obrigatório.

Há sete anos atrás, a percentagem de reprovação escolar era de 35% nos três níveis de ensino (do primeiro ao nono ano).

A cerimónia central de abertura, decorrerá na província do Namibe e será presenciada pelo Ministro da Educação angolano, António Burity da Silva. Contudo, as aulas só terão início na próxima segunda-feira.