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Catorze pessoas queimadas vivas

A onda de violência no Quénia parece estar longe do fim. Catorze pessoas foram hoje queimadas vivas dentro das suas casas durante confrontos em Naivasha.

Catorze pessoas morreram hoje queimadas vivas dentro das suas casas durante confrontos em Naivasha, cidade da província queniana de Vale de Rift onde, desde quinta-feira, já morreram mais de 100 pessoas, informou a polícia.

"Encontrámos 14 cadáveres carbonizados dentro das casas", disse um comandante da polícia de Nairobi, citado pela France Presse sob condição de anonimato.

"A polícia teve dificuldade em entrar nas casas. Os polícias tiveram de forçar a entrada (...) e encontraram homens, mulheres e crianças que estavam irreconhecíveis", acrescentou a mesma fonte.

"Aparentemente, os atacantes fecharam-nos e pegaram fogo" às casas, disse ainda.

A maioria das vítimas pertence a uma única etnia e eram trabalhadores das plantações de flores em torno do lago Navaisha.

Mais de 800 pessoas morreram no Quénia desde o início da contestação às eleições presidenciais de 27 de Dezembro, ganhas pelo actual presidente, Mwai Kibaki, e cuja validade é recusada pelo líder da oposição, Raila Odinga.

Nos últimos dias, a violência parece centrar-se na província de Vale de Rift onde, desde quinta-feira, já morreram 130 pessoas.

Raila Odinga reagiu hoje à violência naquela região, lamentando os "actos monstruosos" cometidos por "bandos de criminosos" que "trabalham com protecção da polícia" e "se enquadram num plano de terror bem organizado para aumentar o nível da violência".

"O governo tenta desviar os esforços de mediação e obrigá-los (aos mediadores) a esquecer as negligências eleitorais em benefício da segurança", disse o líder da oposição.

Um porta-voz do governo, Alfred Mutua, afirmou por seu lado que "toda a gente sabe que as pessoas mortas em Navaisha são apoiantes do presidente Kibaki" e assegurou que o governo vai identificar e responsabilizar os autores dos crimes.

 

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