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Capacidade de resposta moçambicana elogiada pela USAID

O elogio veio de uma importante agência norte-americana. O segredo, segundo as autoridades moçambicanas, reside na prevenção das catástrofes naturais.

A agência norte americana de cooperação para o desenvolvimento (USAID) reconheceu na sexta-feira em Maputo a “rapidez e eficácia” com que o país respondeu às calamidades naturais das últimas semanas. Este elogio foi feito quatro dias depois das Nações Unidas também terem reconhecido mérito às autoridades moçambicanas no desenrolar destes desastres. 

Para Jay Knott – há 25 anos a trabalhar na USAID – a resposta do país a estas catástrofes “deve servir de exemplo para o resto de África e para o mundo”. Knott realça ainda que o número de vítimas só não foi superior porque houve um esforço “notável” das autoridades moçambicanas.

Segundo um balanço recente, o ciclone Favio que assolou Moçambique com ventos superiores a 200 km/h, fez um total de 10 mortos e 92 feridos.No vale do Zambeze, as cheias que o país enfrentou nas últimas semanas, atingiram 285 mil pessoas com mais de 107 mil a serem recebidas em centros de acolhimento temporário, as vitimas mortais ficaram-se pelos 30 casos confirmados. Números muito diferentes das cheias de 2001 que fizeram mais de 700 mortos e perto de meio milhão de desalojados.~

"Naturalmente que aqui, como em qualquer lado, incluindo nos Estados Unidos, mais trabalho deve ser feito para preparar as populações a protegerem-se, mas certamente Moçambique evoluiu muito e tornou-se num bom modelo para outros países na região e talvez mesmo noutras partes ", comentou Knott.

Prevenir o desastre

O aumento da capacidade de resposta a estas catástrofes naturais é em grande parte da responsabilidade do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) que, tem trabalhado em estreita colaboração com a primeira-ministra moçambicana, Luísa Diogo.

Paulo Zucula e João Ribeiro do INGC trabalham juntos desde 2005 na gestão de catástrofes naturais no país. O trabalho do INGC tem incidido, desde então, na prevenção deste tipo de calamidades, uma estratégia que levou a que a preparação para a actual situação de cheias, tenha sido iniciada ainda em 2006, assim que as previsões meteorológicas indicaram a possibilidade de inundações no vale do rio Zambeze. Deste modo salvaram-se muitas vidas, coisa que há seis anos não aconteceu.

Em declarações à agência Lusa os responsáveis do INGC evidenciaram um empenho cada vez maior em reservar para as autoridades moçambicanas a gestão das operações no terreno, à qual as organizações não-governamentais que entretanto foram chegando ao país tiveram de se sujeitar.

A sede do INGC é igualmente o reflexo das mudanças em curso nesta área. Situada na região inóspita do Caia, foi construída de raíz e conta com um vasto departamento informático, onde a actualização de imagens por satélite é constante. As instalações possuem ainda um potente gerador, uma vez que as quebras de energia são muito frequentes neste distrito.

O sucesso deste modelo está a ser tanto, que outros centros operacionais do INGC espalhados por Moçambique já o estão a seguir.