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Autoridades prevêem as piores cheias de sempre

Em 2000, as piores cheias de que há memória mataram 640 pessoas e desalojaram mais de 500 mil. Desta vez, as estimativas apontam para que um milhão de pessoas possam vir a ser afectadas.

Moçambique poderá registar este ano as piores cheias de que há memória, devido às chuvas contínuas nos países vizinhos e descargas de 6.000 metros cúbicos por segundo da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), admitiram esta segunda-feira as autoridades moçambicanas.

Desde o princípio da noite de domingo, a HCB aumentou as suas descargas de 5.100 para 6.000 metros cúbicos por segundo, enquanto o Zimbabué, Malaui e a Zâmbia continuam a ser fustigadas por chuvas torrenciais, cujas águas são encaminhadas para rios moçambicanos.

Os principais afluentes dos rios Luenha, Revúbuè e Chire, no baixo do Vale do Zambeze, centro de Moçambique, já estão com níveis muito elevados, o que concorrerá para o agravamento da situação das cheias no país. Segundo estimativas da Administração Regional de Águas (ARA-Zambeze), a região centro de Moçambique deverá atingir, ao longo desta semana, a fase mais crítica das inundações, que poderão ser mais graves do que as registadas em 2000, consideradas as piores na história do país. Há oito anos as cheias no sul do país provocaram 640 mortos e afectaram 2 milhões de pessoas, das quais 500 mil ficaram desalojadas.

A directora da ARA-Zambeze, Cacilda Machava, descreveu à Lusa como "crítica" a situação que se vive naquela região, mas assegurou que as autoridades estão a fazer a devida monitorização. "Isto está a trazer alguma complicação no baixo do Zambeze. A situação está crítica", referiu, frisando, contudo, que as autoridades estão a acompanhar a situação e a apelar para que a população abandone as zonas de risco.

"Estamos a monitorar a situação, mas não podemos avançar muitas coisas porque estamos a trabalhar com base em previsões. O ano hidrológico indica que, até Março, haja chuvas acima do normal, com tendência para normal", disse.

Três cenários possíveis

O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) previu, anteriormente, a ocorrência de três cenários para os próximos meses: o pior, que poderá atingir um milhão de pessoas em toda a zona centro do país e parte da região sul, o médio, afectando um máximo de 700 mil pessoas, e o ideal, aliás, um cenário que se repete todos os anos, que eventualmente atingirá 50 mil moçambicanos.

O Governo moçambicano estimou, por isso, em 20,4 milhões de euros o valor necessário para um plano de emergência para acudir os afectados pelas cheias e ciclones que poderão ocorrer entre os meses de Janeiro e Março deste ano.

O INGC pretende que, até 15 de Janeiro, sejam retiradas todas as pessoas que se encontram nas zonas de risco, tendo, para o efeito, intensificado operações de busca e salvamento com embarcações, e prevê mobilizar meios aéreos para resgate da população do vale do Zambeze.

O Boletim Hidrológico prevê que, proximamente, os níveis hidrométricos no Baixo Zambeze continuem a baixar ligeiramente, enquanto em Zumbo e Aruângua, os níveis tendem a aumentar, devido a chuvas a montante.

A organização não-governamental britânica Oxfam Internacional alertou esta segunda-feira para o registo de "uma crise de saúde pública generalizada" e enviou uma equipa de emergência para as zonas atingidas pelas inundações para avaliar as necessidades humanitárias das 55 mil pessoas afectadas pela subida do nível das águas.

"Quando se gera uma inundação, a falta de água e saneamento atinge níveis críticos em apenas alguns dias, ou mesmo horas. Com a continuação da subida do nível das águas, o acesso a estes bens será cada vez mais difícil, o que pode originar uma crise de saúde pública generalizada", alertou em comunicado o coordenador de água e saneamento da Oxfam Internacional em Moçambique, Hugo Oosterkamp.

"Como especialista em água e saneamento, a prioridade da Oxfam Internacional será acudir aos centros de evacuação onde as pessoas procuram refúgio. Nestas circunstâncias deve responder-se de imediato à ameaça de diarreia, malária e cólera", acrescentou.