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As margens do Zambeze vão voltar a subir

As previsões para os próximos dias não são optimistas e 85 mil pessoas já foram desalojadas. A prioridade agora é impedir surtos de cólera e malária.

Até domingo as cheias que têm assolado o centro de Moçambique não vão diminuir e as previsões até ao final de sábado são de um agravamento da situação. Com este cenário pessimista vão aumentar os problemas para resgatar pessoas em perigo e prestar auxílio aos centros de desalojados.

Grande parte desta situação de calamidade permanente deve-se às constantes descargas da barragem de Cahora Bassa, que chegou nos últimos dias a uns perigosos 8.400 metros cúbicos por segundo (o máximo são 10 mil metros cúbicos por segundo).

Os solos encontram-se de tal forma saturados, que a chuva que cai, ou uma pequena descarga da barragem, podem piorar dramaticamente a situação.
Só durante o dia de hoje foram resgatadas 1185 pessoas e o número de moçambicanos afectados pelas cheias subiu para 85 mil.

Paulo Zucula, director do Instituto de Gestão de Catástrofes (INGC), confirmou que existem muitas pessoas cercadas pelas águas e que se recusam abandonar as suas casas, o responsável acredita que com a subida do nível do Zambeze a resistência dessas pessoas diminua. “As pessoas abandonam as suas casas quando acham que devem, não quando nós queremos. A percepção do risco é diferente”, prevê Zucula.

Ajuda internacional continua a não ser prioridade 

Apesar da escassez de quase tudo, as autoridades moçambicanas ainda não estão a considerar um apelo à comunidade internacional, Zucula prefere destacar a importância da “assistência e solidariedade internacional” e explica: “Temos primeiro de esgotar a nossa própria capacidade. Só depois equacionaremos o apelo internacional. E nós ainda temos alguma capacidade de fazer face à situação tal como ela se apresenta”, confirmou, assegurando que farão um apelo internacional “quando for necessário”.

Enquanto essa necessidade não chega, as autoridades no terreno vão-se debatendo com os problemas de sempre, como a falta de abrigos e víveres, para além da habitual falta de meios aéreos e navais, o que dificulta imenso os salvamentos, pois as estradas estão submersas.

Com todos estes constrangimentos, onde a falta de assistência médica é também uma realidade, já começaram a surgir os primeiros problemas. Em Chupanga várias mulheres deram à luz, sem qualquer tipo de acompanhamento médico.

Nestes centros onde muitas das pessoas dormem ao relento, a principal prioridade começa a ser o controlo do aparecimento de surtos de cólera e malária. Com milhares de pessoas à sua responsabilidade, as autoridades estão a tentar diminuir o número de pessoas a dormir em cada tenda e a fornecer redes mosquiteiras. Outras das medidas são a purificação da água e o início de campanhas de vacinação.

De momento e porque a situação, aparentemente, não justifica o apelo internacional, no terreno estão apenas organizações não governamentais e como referiu Paulo Zucula de “assistência e solidariedade internacional”.