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Zélia Gattai, escritora tardia, mas prolífica

A viúva de Jorge Amado, Zélia Gattai, foi uma escritora prolífica e tardia

Zélia Gattai, viúva de Jorge Amado, falecida ontem em S.Salvador da Bahía aos 91 anos, foi uma escritora tão tardia, como prolífica, porque embora só tenha começado a publicar em 1979, desde então lançava um novo livro cada dois anos.

Internada a 30 de Março para a remoção de um tumor intestinal, reagiu mal e foi sucessivamente afectada por problemas pulmonares, renais e arteriais, aos que acabou por não resistir.

Descendente de imigrantes italianos, Zélia Gattai foi académica, escreveu memórias e romances, e também se notabilizou como fotógrafa.

Em 1979 veio a lume "Anarquistas Graças a Deus", que conta a história de uma comunidade anarquista no coração brasileiro em pleno século XIX, um êxito de vendas adaptado a série televisiva exibida pela Rede Globo em 1984.

Nascida em S.Paulo a 02 de Julho de 1916, tinha apenas 20 anos quando se casou com o intelectual comunista Aldo Veiga, de quem teve um filho. Passados três anos, conheceu Jorge Amado, que seria o seu segundo marido e pai do segundo filho, nascido no Rio de Janeiro.

Jorge Amado e Zélia Gattai partiram para o exílio em 1948 com a ilegalização do Partido Comunista. Radicados na Europa ao longo de cinco anos, foi em Praga que o casal teve uma filha, surgindo então a paixão de Zélia Gattai pela fotografia.

Membro da Academia Brasileira das Letras, lançou "Um Chapéu para Viagem", em 1982, "Senhora Dona do Baile", em 1984, e "Jardim de Inverno", em 1988.

Em 1999, o público conheceu "A Casa do Rio Vermelho" e, no ano seguinte, "Memorial do Amor", saindo do prelo também em 2000 "Cittá di Roma" e, em 2001, "Códigos de Família".

Zélia Gattai contemplou igualmente os mais pequenos com livros como "Pipistrelo das Mil Cores", em 1989, "O Segredo da Rua 18", em 1991, e "Jonas e a Sereia", em 2000.