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Xanana Gusmão primeiro-ministro de Timor-Leste

A nomeação de Xanana Gusmão para primeiro-ministro de Timor-Leste poderá levantar uma onda de protestos da Fretilin.O ex-Presidente toma posse esta quarta-feira.

Depois de mais de um mês de divergências entre os dois principais partidos do país, Xanana Gusmão foi nomeado esta segunda-feira para Primeiro-Ministro de Timor-Leste. "A AMP – Aliança para a Maioria Parlamentar propôs que o seu líder fosse primeiro-ministro e eu aceitei", anunciou o actual Presidente, Ramos Horta, depois de dizer que tomara a decisão de convidar a AMP(que reúne os quatro maiores partidos da oposição) a formar Governo.

Segundo a correspondente da BBC na Indonésia, a relação entre os partidos é de grande desconfiança e animosidade, temendo-se agora uma recção violenta dos militantes da Fretlin. Lucy Williamson diz que, apesar desse temor, Ramos Horta parece ter concluído que o risco para a estabilidade do país seria ainda maior se permitisse que um Governo de minoria detivesse o poder.

Recorde-se que depois das eleições de Junho o actual presidente, José Ramos Horta, havia pedido aos dois partidos – Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor Leste (CNRT, liderado por Xanana) e Fretlin, que é o maior partido do país – para formar um Governo de união nacional. Os eleitores não deram maioria nem a um nem a a outro. Mas foi a Fretlin (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente) – que assumiu a luta contra a ocupação indonésia (1975-1999) –, que obteve mais votos.

Reacção negativa

O anúncio do acordo entre vários partidos para a criação de uma maioria parlamentar visando a formação de um Governo em Timor-Leste mereceu um sorriso de Xanana Gusmão, que na conferência de imprensa esteve acompanhado dos líderes partidários do PSD, do ASDT, PD e PUN.

No entanto, a escolha do nome de Xanana Gusmão está longe de ser consensual. Segundo o actual primeiro-ministro, Estanislau da Silva, o convite à AMP provocará "a frustação no eleitorado da Fretilin", o partido mais votado nas eleições legislativas.

Em declarações à Lusa, Estanislau da Silva admitiu que "não vai ser fácil daqui para a frente gerir politicamente o país e as expectativas do eleitorado, se estamos, logo à partida, a pôr em causa o estipulado na Constituição e começamos a pôr em causa o que nós próprios políticos dizemos sobre respeito da democracia e dos direitos".

Questionado sobre se aceitaria integrar um executivo chefiado por Xanana, o primeiro-ministro referiu que é dirigente e deputado eleito de um partido e "é ao partido que cabe a decisão". Ou seja, na qualidade de timorense "gostaria de contribuir para esse país", e acrescenta: "mas também faço parte da liderança da Fretilin e só estaria num governo mediante a decisão formal do meu partido".

"As promessas foram feitas e não vejo como vão ser cumpridas porque não há nenhum programa visível", afirmou Estanislau da Silva. Sobre o que espera de uma governação da AMP, mostrou-se preocupado: "ouvi dizer que se vai fazer tudo de novo", acrescentando que "não vai ser fácil" governar o país. "Espero que o novo governo aproveite as capacidades existentes", declarou o primeiro-ministro que, após a posse do IV Governo tenciona manter o lugar de deputado no novo parlamento.