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Xanana apela à rendição de Reinado

Depois da fuga de Reinado às tropas australianas e com uma semana que poderá vir a ser complicada, a embaixada de Portugal em Díli já aconselhou a comunidade portuguesa a ficar em casa.

O presidente da República de Timor-Leste, Xanana Gusmão, afirmou hoje, durante um discurso, que a única saída para o major Alfredo Reinado e para os seus companheiros é “entregarem as armas e renderem-se”. Este apelo foi feito depois de tropas australianas não terem conseguido deter Reinado, num confronto armado que acabou com a morte de quatro dos seus seguidores.

Xanana prometeu que a captura do major evadido será levada até às últimas consequências, “o problema de Alfredo Reinado é um problema militar e é também um problema legal, não é um problema político, por isso é melhor para vós não se imiscuírem no problema", afirmou o chefe de estado num discurso feito em Same, zona onde Reinado esteve cercado durante vários dias e que conta com muitos apoiantes do militar revoltoso.

Determinação presidencial.

Num discurso particularmente duro, Xanana não deixou de demonstrar alguma amargura com quem vê em Reinado um herói e interroga-se, “olho para as nossas biografias e concordo que Alfredo é o aguerrido, corajoso ou herói, e eu sou o traidor. Porquê?", perguntou o presidente com ironia, para depois passar para uma detalhada comparação entre o seu percurso na resistência timorense e a biografia de Alfredo Reinado.

O chefe de estado reduz o currículo do antigo comandante da polícia, a episódios como a “fuga enquanto major das F-FDTL (Forças de Defesa de Timor-Leste) ” ou “andar aos tiros com as forças de defesa timorenses”, terminando na fuga da prisão de Becora em Agosto do ano passado.

O presidente timorense tentou provar que não é ”o grande traidor do povo de Timor” e voltou a apontar os canhões ao major caído em desgraça."Alfredo recusa-se a entregar as suas armas, exigindo um sítio para ficar, com a sua guarda pessoal e, tal como já fazia antes, continua a misturar os seus problemas com outros problemas", sublinhando ainda que Reinado é um militar “e não se pode consentir que um oficial do Exército ande ai como quer e lhe apetece”, além do mais, prosseguiu Xanana, "enquanto oficial das Forças Armadas, Alfredo Reinado deve obedecer às ordens do seu comandante, e eu sou comandante supremo das Forças Armadas".

Um apelo português

A insegurança no país foi crescendo desde o início da operação para neutralizar Alfredo Reinado, tendo sido registados vários incidentes em Díli. Estradas cortadas, casas incendiadas e combates de rua foram alguns dos desacatos assinalados, que terminaram com a morte de quatro timorenses e um número ainda não confirmado de detidos.

A razão para a violência na capital timorense poderá ser o apoio ou a oposição a Reinado e para a semana que agora se inicia estão previstos alguns acontecimentos potenciadores de mais tensão no país: quarta-feira vai ser lida a sentença do antigo ministro do interior, Rogério Lobato, acusado de distribuir armas a civis durante a crise de 2006. Para o dia seguinte estão marcadas duas manifestações de pólos opostos, uma do Movimento para a Unidade Nacional e Justiça (MUNJ) e outra da Fretilin.

A instabilidade vivida em Timor-Leste e a possibilidade de algum destes acontecimentos acabarem em violência, já levou a que a diplomacia portuguesa aconselhasse a comunidade lusa a permanecer em casa. A embaixada de Portugal em Díli já confirmou o cancelamento para segunda-feira das aulas de português e um oficial do sub agrupamento Bravo da GNR confirma estas preocupações, “os sinais disponíveis apontam para uma semana alucinante”.

O mesmo militar perspectiva uma semana ainda pior do que a anterior e confirma haver “grupos de artes marciais” que estão preparados para “usar armas de fogo e criar conflitos”.