Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Votação a favor e sem surpresas

Protocolo modificativo aprovado com voto contra de Manuel Alegre. Zita Seabra alegou incompatibilidade de interesses.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Manuel Alegre votou contra o protocolo modificativo do Acordo Ortográfico, mas reservou para depois a apresentação da sua declaração. Na bancada socialista foi o único que o fez, mas Matilde Sousa Franco havia-se ausentado minutos antes do hemiciclo, sem dar justificação.

A votação, hoje, do protocolo, que prevê a inclusão de Timor-Leste no âmbito do acordo e estabelece que, no prazo acordado de seis anos, o acordo ortográfico poderá entrar em vigor em todos os países de língua oficial portuguesa desde que três o tenham ratificado (bem como este novo protocolo adicional), decorreu sem surpresas: votos a favor do PS, PSD e BE e sete deputados do CDS; abstenção do PCP e Verdes e três deputados do CDS, entre eles Paulo Portas; contra só votos individuais: para além de Manuel Alegre, a independente (ex-PC) Luísa Mesquita e mais dois deputados do CDS, Nuno Melo e António Carlos Monteiro.

Antes, tinham pedido escusa da votação vários deputados, entre eles Zita Seabra, que alegou "incompatibilidade de interesses" e Henrique de Freitas.

O CDS foi assim o partido mais 'inquieto', com Nuno Melo a marcar a posição do 'não', porque "este acordo nem era preciso nem resolve coisa alguma" e Mota Soares pelo 'sim', lembrando o apelo de Timor para que "enfim, o ensino de português seja uma realidade" e sublinhando que "se o português é factor da nossa soberania, a soberania portuguesa não é dona da língua".

Coerente e em bloco, apenas o Bloco de Esquerda. Luísa Fazenda não teve receio de assumir a "leitura política" deste acordo, cujas consequências "não vão além da grafia". E, "se queremos a afirmação e expansão da língua portuguesa, tem de haver concertação e aproximação de grafias. Daqui a alguns anos, se nada for feito, o modo que se imporá naturalmente será o brasileiro". Portanto - disse - "votar a favor é defender o património".

Falando aos jornalistas no final do debate, o ministro da Cultura manifestou-se "muito contente" e rejeitou que o Governo tivesse feito "ouvidos de mercador" ao abaixo-assinado que recolheu mais de 20 mil assinaturas na net.

"Não parece ser o momento adequado para levantar esse tipo de problemas. Só tenho pena que nos últimos 17 anos, desde a ratificação do acordo ortográfico, não se tenha falado nem feito muitas diligências", disse Pinto Ribeiro.