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Vírus já infectou mais de 33 mil pessoas em Portugal

O Dia Mundial da Sida comemora-se hoje pela vigésima vez em todo o mundo. Segundo as Nações Unidas, pelo menos uma em cada três crianças nascidas com HIV/Sida morrerão devido a doenças relacionadas com o vírus e 50% antes de atingirem os 2 anos se não existir intervenção precoce.

O Dia Mundial da Sida assinala-se hoje pela vigésima vez em todo o mundo, uma efeméride que visa lembrar uma infecção que já atingiu mais de 33 mil pessoas em Portugal desde 1983.

Este ano, o lema das comemorações é a liderança, numa referência à importância de envolver os líderes políticos no combate à sida e, nomeadamente, para que estes assumam os compromissos assumidos para 2010 de garantir o acesso universal à prevenção e ao tratamento.

Em Portugal, aproveita-se o dia para destacar o papel das Organizações Não-Governamentais, em especial na prestação de cuidados e apoio social às pessoas que vivem com a infecção. Na cerimónia oficial, a decorrer no Auditório dos Recreios da Amadora, estará a ministra da Saúde e a Associação de Jovens Promotores da Amadora Saudável, uma entidade que completa 15 anos de actividade e que há 10 desenvolve o projecto "Viver com o VIH".

Serão ainda colocadas telas alusivas ao Dia Mundial da Sida no Parlamento e em outros 1.510 edifícios públicos de todo o país para recordar que a resposta à doença é um assunto que diz respeito a todos.

Numa iniciativa conjunta dos Ministérios da Saúde e da Educação, será ainda lançado, na terça-feira, um concurso para premiar os melhores projectos de prevenção do VIH nas escolas. O concurso destina-se aos 2º e 3º ciclos do ensino básico e ao ensino secundário.

O Dia Mundial de Luta Contra a Sida surgiu durante um encontro mundial de ministros da Saúde sobre programas de prevenção da sida, em 1988.

O diagnóstico e o tratamento do vírus HIV/Sida nas primeiras 12 semanas de vida podem aumentar em 75 por cento a sobrevivência dos recém-nascidos infectados, segundo um relatório divulgado hoje por quatro agências das Nações Unidas.

Sem qualquer intervenção precoce, sublinha o documento das Naçoes Unidas (ONU), divulgado por ocasião do Dia Mundial da Sida, que se comemora hoje, pelo menos uma em cada três crianças nascidas com HIV/Sida morrerão devido a doenças relacionadas com o virus, e 50 por cento antes de atingirem os 2 anos.

Nesse sentido, o relatório intitulado "As Crianças e a SIDA: Terceiro balanço da situação", apela para que, em todo o Mundo, se intensifiquem os testes de despistagem precoce nos bebés para "permitir que os tratamentos comecem o mais cedo possível".

Na maioria dos países, sublinha o documento, esse objectivo só será atingido se, nas políticas nacionais contra a doença, forem estabelecidas "linhas de orientação para diagnósticos precoces e objectivos de tratamento" e se a "capacidade dos laboratórios", nomeadamente a nível da investigação e dotação de meios, for reforçada.

O relatório da ONU lembra que, em 2007, menos de dez por cento dos recém-nascidos de mães seropositivas foram alvos dessa despistagem antes dos dois meses: "As crianças com menos de 1 ano, um grupo crítico, não estão a ser identificadas a tempo e muitas morrem sem nunca terem sido diagnosticadas", lamenta o relatório.

Por outro lado, o documento destaca que essa prática esteja a ser levada a cabo "em maior escala" em alguns dos "países mais duramente atingidos pelo vírus, tais como a África do Sul, Malaui, Moçambique, Quénia, Ruanda, Suazilândia e a Zâmbia".

"Em Moçambique, a despistagem precoce nos bebés aumentou de três para 46 por cento entre 2004 e 2007", precisa o documento, acrescentando que, no ano passado, "trinta países de baixo e médio rendimento utilizaram a despistagem do vírus a partir de amostras de sangue seco, enquanto apenas 17 países o faziam em 2005".

O relatório da ONU critica que a maioria das mulheres grávidas seropositivas não "tenha recebido aconselhamento suficiente para prevenir a doença" e não tenha tido à "sua disposição serviços de prevenção primários".

"Em 2007, apenas 18 por cento das mulheres grávidas em países de baixo e médio rendimento tiveram acesso ao diagnóstico do HIV/Sida, e apenas 12 por cento das mulheres, cujo teste foi positivo, fizeram mais exames para determinar o estado da doença e o tipo de tratamento adequado", adianta o estudo.

Recomenda, por isso, o "alargamento do acesso a testes de avaliação das funções imunitárias das mães seropositivas" para determinar o estádio da doença e decidir "sobre o tratamento adequado para a sua própria saúde, bem como para diminuir o risco de transmissão do vírus para o bebé".

O documento também sublinha que a prevenção do flagelo deve "incidir mais nos jovens", já que "45 por cento do total das novas infecções ocorrem na faixa etária dos 15 aos 24 anos", sendo as "raparigas dos países subsarianos as mais vulneráveis". Por isso, a ONU defende o alargamento de programas que visam reduzir "os comportamentos de risco, a vulnerabilidade e as disparidades entre os jovens tanto na escola como fora dela, e o acesso dos jovens aos serviços de saúde sexual e reprodutiva".

"Prevenir a infecção pelo HIV nas mulheres representa a primeira linha de prevenção da transmissão do vírus para os recém-nascidos. Envolver os jovens na luta contra o HIV/Sida é a melhor maneira de garantir uma orientação adequada dos programas para os vários grupos-alvo e a sua eficácia" afirma Thoraya Ahmed Obaid, directora-executiva do Fundo da ONU para a População.

O tratamento pediátrico da doença, a prevenção da transmissão de mãe para filho e a prevenção de novas infecções nos jovens são as componentes centrais analisadas no relatório, que também defende a expansão "dos cuidados para os cerca de 15 milhões de crianças vulneráveis, que em todo o Mundo perderam um ou ambos os pais devido ao vírus do HIV/Sida".